Viajar sozinho virou negócio: como o turismo solo redesenha o mercado na Paraíba

Crescimento global reflete mudança de comportamento e pressiona o setor a se adaptar

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Foto: Reprodução / iStock
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O turismo solo está ganhando cada vez mais força e remodelando a forma de viajar no Brasil. Segundo a 6ª edição da Revista Tendências do Turismo, publicada pelo Ministério do Turismo em parceria com a Embratur, as viagens individuais têm crescido, especialmente entre a Geração Z (pessoas nascidas a partir de meados dos anos 1990) e os Millennials (nascidos entre 1981 e meados da década de 1990).

A Paraíba, reconhecida pelo turismo, não está de fora dessa mudança. Dados da agência nordestina Luck Receptivos apontam que cerca de 10% dos clientes atendidos pela empresa em João Pessoa viajam sem companhia.

Fenômeno global

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O turismo mundial vem sendo redesenhado pelos viajantes solo. Projeções da Visa e do Ministério do Turismo indicam que, até 2030, deve haver um aumento de 35% nesse tipo de viagem. O comportamento, liderado majoritariamente pela Geração Z, é impulsionado, para 69% dos viajantes, pelo sentimento de “se não agora, quando?”.

Essa mudança de comportamento também traz impactos econômicos para o setor. Com o crescimento da demanda, o mercado de viagens solo, avaliado em US$ 549 bilhões em 2025, deve alcançar US$ 1,6 trilhão até 2033 — um aumento de aproximadamente 191,5%.

Em relação ao perfil, Aléssia Ramalho, supervisora de Experiência do Cliente da Luck Receptivo, observa que os turistas solo tendem a ser mais independentes e não desejam depender da programação de amigos ou familiares.

“O perfil desse público é de pessoas independentes, que curtem a própria companhia e querem viver todas as experiências que desejam, sem depender das decisões típicas de viagens em grupo”, explica.

Aléssia Ramalho, supervisora de Experiência do Cliente da Luck Receptivo.

Além da liberdade, a supervisora destaca que esse público também costuma optar por passeios compartilhados, como forma de conhecer novas pessoas durante a viagem.

Mulheres viajantes

Dados do “Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas”, publicado pelo Ministério do Turismo em parceria com a Unesco, apontam que quatro em cada dez brasileiras já viajaram sozinhas.

Fátima Carvalho, funcionária pública de Cajamar (SP), faz parte desse grupo. Natural do Piauí, ela já visitou diversas cidades no Brasil e no exterior. No último mês, escolheu João Pessoa como destino e afirma ter se encantado com a cidade.

“Fiquei hospedada no Bessa, conheci a praia, vi ninhos de tartaruga, que são lindos. A culinária da Paraíba também é uma das melhores que já experimentei. João Pessoa está de parabéns pelas belezas naturais e pelo acolhimento. Eu simplesmente amei e pretendo voltar”, comenta.

Modelo de consumo

Os viajantes solo também estão transformando o perfil de consumo no turismo e, em certa medida, pressionam as agências a se adaptarem a essa nova realidade.

Fátima relata que não segue um padrão fixo ao viajar, guiando-se principalmente pelos preços. Assim, alterna entre a compra antecipada de pacotes completos e a decisão dos passeios apenas no local de destino.

“Às vezes compro o pacote com todos os passeios, mas também já viajei adquirindo apenas o voo e o hotel, deixando para escolher a agência no destino. Tudo depende das promoções disponíveis”, explica.

Para ela, os preços para viajantes solo ainda são elevados, próximos aos valores pagos por quem viaja em grupo. A funcionária pública comenta que, em uma viagem de até oito dias, gasta, em média, entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, a depender do destino escolhido.

“Tenho observado que uma viagem compartilhada sai mais barata. Eu pago cerca de R$ 4 mil em um pacote de voo e hotel com acompanhante, e a diferença para viajar sozinha é muito pequena. O hotel tem praticamente o mesmo valor, então o turista solo acaba saindo no prejuízo nesse quesito”, comenta.

Fátima Carvalho, funcionária pública de Cajamar (SP), tem o hábito de viajar sozinha. Natural do Piauí, ela já visitou diversas cidades no Brasil e no exterio.

Pensando em melhorar os serviços para quem viaja sozinho, Aléssia Ramalho afirma que a Luck oferece opções específicas para esse público.

“Temos serviços privativos, que são experiências premium, além de opções intermediárias, como trilhas com veículos exclusivos e vagas limitadas, em grupos menores de até 10 pessoas.”

Ela também destaca que, apesar dessas alternativas mais personalizadas, a maioria dos turistas ainda prefere os passeios compartilhados, também chamados de serviços regulares, realizados com grupos maiores. Segundo dados da empresa, o ticket médio desse público varia entre R$ 450 e R$ 500.

A mudança no turismo também reflete os hábitos contemporâneos. Cerca de 74% dos jovens que optam por viajar sozinhos escolhem destinos cercados pela natureza, em busca de experiências longe de telas e estímulos visuais. Nesse contexto, a solitude voluntária pode ser uma aliada da saúde mental.

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