Planos de saúde coletivos sobem quase 10% em 2026 e reajuste supera inflação oficial

Aumento médio dos convênios empresariais é o menor em cinco anos, mas continua pressionando o orçamento dos consumidores

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Marcello Casal Jr / Agência Brasil
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Os planos de saúde coletivos registraram reajuste anual médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. Apesar de ser o menor aumento dos últimos cinco anos, o índice segue acima da inflação oficial do país.

A alta aplicada pelas operadoras supera mais de duas vezes o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que acumulou 3,81% no mesmo período.

Os dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar consideram os reajustes praticados nos contratos coletivos empresariais e por adesão durante janeiro e fevereiro deste ano.

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Reajuste é o menor desde a pandemia

A última vez que os planos coletivos apresentaram aumento médio inferior ao atual foi em 2021, quando o reajuste ficou em 6,43%. Naquele período, a pandemia reduziu a procura por consultas, exames e cirurgias eletivas, diminuindo temporariamente os custos das operadoras.

Mesmo com desaceleração recente, os aumentos continuam pressionando empresas e consumidores, especialmente nos contratos de menor porte.

Segundo a ANS, os planos coletivos com 30 vidas ou mais tiveram reajuste médio de 8,71% nos primeiros meses de 2026. Já os contratos com até 29 beneficiários registraram alta mais intensa, de 13,48%.

O órgão regulador informou que cerca de 77% dos usuários estão concentrados nos planos empresariais com mais de 30 vidas.

Diferença entre planos coletivos e individuais

Ao contrário dos planos individuais e familiares, nos quais o reajuste é definido diretamente pela ANS, os contratos coletivos funcionam por meio de negociação entre empresas, associações e operadoras de saúde.

Nos planos menores, as operadoras costumam aplicar reajustes padronizados em grupos de contratos semelhantes.

A agência reguladora ressalta que a comparação direta entre inflação e reajuste dos planos de saúde não é considerada tecnicamente adequada, já que os custos do setor seguem dinâmica própria, influenciada por despesas médicas, judicialização, novas tecnologias e uso dos serviços.

Saúde suplementar registra lucro recorde

Dados mais recentes da ANS mostram que o Brasil encerrou março de 2026 com aproximadamente 53 milhões de vínculos em planos de saúde. O volume representa crescimento de 906 mil contratos em relação ao ano anterior.

Os planos coletivos continuam dominando o setor. De cada 100 vínculos ativos no país, 84 pertencem a contratos empresariais ou por adesão.

Ainda segundo a agência, o mercado de saúde suplementar movimentou R$ 391,6 bilhões em receitas ao longo de 2025 e registrou lucro líquido acumulado de R$ 24,4 bilhões, o maior da série histórica.

Na prática, isso significa que as operadoras obtiveram lucro médio de cerca de R$ 6,20 para cada R$ 100 faturados no período.

Redação com informações do jornal O Globo

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