Turismo e natureza: tem que caminhar juntos

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A Paraíba vem colhendo frutos como destino turístico, o que significa crescimento econômico em diversas áreas. Segundo a Usina de Dados do Sebrae/PB, houve um aumento de 73,5% no número de empresas formais relacionadas ao setor nos últimos seis anos, que saltou de 38.708 empresas formais ativas no turismo em 2019 para 67.195 nos primeiros meses de 2024, com 80% dessas empresas pertencendo ao setor de serviços. Falava-se em cinquenta e dois segmentos impactados pelo turismo – mas, atualmente, sabe-se que são incontáveis. Um deles, o mercado imobiliário, provoca mudanças radicais numa cidade. João Pessoa está vivendo esse momento com muitos investimentos na construção civil também para turistas que estão se transformando em moradores.

Promover um destino para que ele se torne turístico requer, primeiramente, muito investimento com promoção, o que significa participar de feiras nacionais e internacionais e eventos das grandes operadoras. Aqui no nordeste, com tantas cidades de mar e sol – ainda os mais fortes atrativos, a disputa por uma fatia do bolo de recursos que chega junto com os turistas não é fácil. E levou tempo. Há algumas décadas a PBTUR – Empresa Paraibana de Turismo responsável pela promoção da Paraíba realiza esse trabalho em parceria com as secretarias municipais de turismo e o trade  formado pela infraestrutura privada. E os resultados, enfim, estão chegando. Mas é hora de comemorar e colher os frutos? Creio que não. 

A cada grande invenção humana a civilização alcança novos patamares com mudanças profundas. Mas, em nenhuma época, transformações  aconteceram tão rápidas como agora. A instantaneidade da internet acelerou o mundo e tornou quase tudo transparente. Aliás, a transparência é, atualmente, um aplaudido valor de empresas, governos e até pessoas. Os impactos negativos que o turismo pode gerar não passam mais despercebidos. As novas tecnologias permitem a todos voz e microfone. O Movimento Esgotei, formado por moradores da orla, denuncia a poluição do mar e dos rios da Paraíba e todos souberam que alguns hotéis e restaurantes jogavam esgoto nas praias de João Pessoa.

Em praticamente todos os aspectos do turismo modelos ultrapassados não tem mais lugar na atualidade. O turismo predatório, que deteriora o meio ambiente, não inclui transformações para a cidade, não promove novas posturas, vai morrer na praia. O turista também está mudando e percebe tudo. A sustentabilidade tem que ser uma prática e o turismo um dos principais setores a promover ações de defesa da natureza, o que, infelizmente, ainda não acontece no Brasil de forma ampla. A rede Accor Novotel, que possui 580 hotéis em 65 países e mais de 30 milhões de hóspedes por ano firmou uma parceria de 03 anos com a WWF –  World Wide Fund for Nature, para a realização de ações e projetos de  proteção e restauração do oceano em todo o mundo. Um plano para os hotéis está sendo mapeado com itens como redução do plástico, educação para hóspedes e comunidade, investimentos em inovação, patrocínio a projetos de preservação de fauna e flora e pesquisas. Ao comentar sobre a parceria de Novotel com a WWF, Karelle Lamouche, Chief Commercial Officer Accor, disse: “ Novotel liderará o caminho rumo a um futuro sustentável para os nossos oceanos, sendo pioneiro numa nova era de gestão ambiental nos nossos hotéis e impulsionando a mudança na indústria”. É claro que cada país tem a sua realidade, mas o tempo do turismo que não se mostra aliado e protetor da natureza, já passou.

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Rosa Aguiar
Rosa Aguiar é jornalista com graduação em Comunicação Social pela UFPB, especialização em Redação Jornalística pela Universidade Potiguar e Mestrado em Jornalismo Profissional pela UFPB.