São João movimenta economia na Paraíba, apenas três cidades devem injetar R$730 milhões

Parceria entre o governo do estado e instituições privadas fomenta ainda mais uma das festas culturais mais tradicionais do país.

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São João de Campina Grande, Paraíba/ foto: Flickr

Impacto cultural e econômico colocados em evidência na maioria dos municípios nordestinos no mês de junho com as festividades de São João. Na Paraíba não é diferente. Juntas, as cidades de Campina Grande, Patos e Bananeiras devem movimentar cerca de R$ 730 milhões.

De acordo com os dados analisados pelo Núcleo de Dados da Rede Paraíba de Comunicação, Campina Grande lidera o ranking, com previsão de R$ 600 milhões circulando até o dia 30 de junho. Patos, no Sertão da Paraíba, vem em seguida, com uma média de R$ 80 milhões. A cidade de Bananeiras também apresenta uma circulação de valores milionários, com previsão de movimentar R$ 50 milhões no período junino.

Em Campina Grande são 33 dias de festa. Em Bananeiras, são 10 dias de festa. E em Patos, São João bastante tradicional, serão 5 dias de shows.

O impacto cultural e econômico das festas de São João é inegável. A tradição ganha espaço cativo e, no mesmo ritmo, a geração de renda também aumenta. Um exemplo desse fenômeno é a cidade de Cabaceiras, a nossa Roliúde Nordestina, foi destaque no PIB Nominal de 2021. Os Dados do IBGE, publicados este ano, revelam um aumento significativo de 71,4%, saindo de R$ 67,9 milhões em 2020 e resultando em R$ 116,4 milhões em 2021.

A economista Karla Vanessa explica que o momento representa, também, um aumento no consumo.

Esse período tem um forte impacto nas economias locais, pensando na dinamização da economia. Tudo isso para além do setor hoteleiro, gastronômico, o mês de junho representa cerca de 30% do faturamento anual só em Campina Grande, por exemplo. É um período em que as cidades recebem muitos turistas”, destaca a economista.

Quadrilha se apresentando na festa de são joão campina grande paraíba brasil /Foto: freepik

São João com Parceria Público-Privada

As festas de Campina Grande, Patos e Bananeiras acontecem, hoje em dia, em um modelo de Parceria Público-Privada (PPP), combinando os recursos e esforços do setor público e do setor privado para organizar e realizar os eventos.

Em Campina Grande, por exemplo, esse formato foi implementado em 2017. Dessa forma, o governo investe menos e tira metade da responsabilidade da realização da festa. As ações e investimentos do Governo do Estado para o São João de 2024 nos municípios paraibanos. Ao todo, foi injetados R$ 41,2 milhões nas festividades juninas, dos quais mais de R$ 16 milhões destinados a Campina Grande. Os recursos aportados para o apoio às quadrilhas juninas; aos barraqueiros do Parque do Povo, comerciantes da Feira Central e artesãos.

Atualmente, ao invés do Município transferir recursos para a empresa responsável pela realização do São João de Campina Grande, a gestão ganha pela exploração da “marca” da festa. Dessa forma, a empresa gestora é responsável pela montagem, captação dos patrocínios e contratação de artistas, mas a prefeitura faz a gestão cultural do evento.

“Com esse modelo, a gente perde um pouco a autonomia de realizar uma festa mais próxima do que a gente tinha nas tradições das cidades. Mas, se não fosse assim, todo recurso tinha que sair do poder público. Por outro lado, quando temos essa Parceria Público-Privada, a gente tem a condição de fazer sua festa maior, mais comercial”, detalha a economista Karla Vanessa.

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Esse formato, que permite uma diminuição dos gastos públicos, favorece também o mercado de trabalho. Outros números analisados pelo Núcleo de Dados da Rede Paraíba de Comunicação indicam que a geração de empregos se eleva nesse período.

Patos lidera com a oferta de trabalho. São cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos gerados durante o mês em que acontece a festa.

Em Campina Grande, somente em 2024, devem ser gerados quatro mil empregos diretos e indiretos.

Já em Bananeiras, no Brejo paraibano, são, pelo menos, 190 empregos diretos sendo gerados como agentes de limpeza, agentes de trânsito temporários e barraqueiros cadastrados. Além desses profissionais, ainda há um quantitativo expressivo de taxistas e mototaxistas durante esse período. Esses empregos é o que fazem a diferença na vida dos paraibanos.

Turismo alavanca a economia

Para que as festas juninas sejam um sucesso, o setor turístico é outro ponto importante. Em Campina Grande, Bananeiras e Patos, a ocupação de hotéis chega a quase 100%, principalmente para o fim de semana de São João.

De acordo com Gustavo Paulo Neto, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Paraíba (ABIH-PB), “a movimentação financeira que traz os turistas que vêm aproveitar as festas, são muito importante para a economia. É toda uma cadeia produtiva. Isso é muito importante porque gera emprego e renda. E movimenta toda essa cadeia produtiva aqui no turismo do nosso estado”.

Terreiro do Forró, palco do São João de Patos, em 2018 — Foto: Alex Costa/Prefeitura de Patos

Gustavo Paulo Neto ressalta, ainda, que o período de São João é historicamente importante para a Paraíba.

“Esse período de festa junina é realmente um período de alta estação em todo o interior do estado da Paraíba. O São João é a data mais importante para essa parte do estado, onde se movimenta mesmo a economia. A gente costuma dizer que o São João é o Natal do interior”, afirmou.

Esse sentimento que pulsa mais forte no mês de junho impulsiona o estado o ano inteiro, seja na economia, seja na cultura, seja no desejo de todo paraibano de viver a festa ano após ano e compartilhando a alegria para os visitantes do estado, fazendo com que eles voltem para a Paraíba, aonde é o maior São João do mundo.

Fonte: G1 Paraíba

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Redação
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