Recife está entre as cidades mais ameaçadas pelas mudanças climáticas

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Erosão de falésias atinge praias do Nordeste.

As mudanças climáticas elevam o nível do mar e amaeça 7 cidades brasileiras. Na Paraíba, o litoral sul já sente os efeitos da elevação do mar.

A organização não governamental Climate Central mapeou 100 cidades em todo o mundo que correm mais risco com o aumento do nível dos mares, devido ao aquecimento global. No Brasil, estima-se que dois milhões de brasileiros serão afetados pelo aumento do nível do mar. Sete cidades brasileiras estão ameaçadas pela inundação devido à emergência climática. São elas:

Rio de Janeiro

Fortaleza

Salvador

Recife

Porto Alegre

São Paulo

Santos

Nos últimos 30 anos, o nível do mar subiu 9 cm e pode aumentar até 80cm até 2100, afetando 800 milhões de pessoas globalmente. A Universidade de São Paulo (USP) aponta que o nível do mar no estado aumentou 20cm em 73 anos e pode chegar a 36cm até 2050.

Na Paraíba

Segundo dados de uma pesquisa realizada pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a zona costeira do município de Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa, tem perdido espaço para o mar. O mar avançou cerca de 9 metros nos últimos 37 anos, e a taxa de erosão marinha se acelerou entre os anos de 2015 e 2022. A pesquisa ainda indicou a probabilidade de inundação de 12% da área total do município caso o avanço chegue aos 10 metros de elevação.

Os locais mais afetados com a erosão neste período são alguns dos cartões postais mais conhecidos do Estado da Paraíba, como as praias de Jacumã, Coqueirinho, Tambaba, Carapibus, Amor e Arapuca, e a tendência para as próximas duas décadas (2022-2032 e 2032-2042) é de intensificação da atividade erosiva nestas regiões.

No estudo, também foram feitas algumas projeções para o litoral do Conde em diferentes cenários (1, 2, 5 e 10 metros) de subida do nível do mar, em consequência do derretimento do gelo polar por causa do aquecimento global e de outras mudanças climáticas.

Segundo os cientistas, a elevação das águas marinhas nos dois primeiros cenários (1 e 2 metros) pode ter efeitos moderados no curto prazo, limitando-se, por exemplo, a alterações de ecossistemas costeiros e entrada de água salgada em lençóis freáticos e áreas de água doce.

No entanto, nos dois piores – a elevação das águas marítimas em 5 ou 10 metros – os autores calculam que, a longo prazo, uma inundação significativa aconteceria, de cerca de 12% de toda a área do município, o que afetaria gravemente paisagens urbanas e agrícolas. Essa hipótese é classificada pelos pesquisadores como catastrófica, podendo causar deslocamentos forçados da população local, além de perdas ecológicas irreversíveis.

Para chegar a estas constatações, os pesquisadores empregaram uma metodologia com abordagens integradas, na qual foram utilizadas diversas ferramentas, como imagens de satélite, algoritmo para remoção de nuvens das imagens, sistema digital de análise costeira (DSAS, na sigla em inglês) e mapeamento de cobertura e do uso da terra, este último obtido a partir do Projeto MapBiomas.

Em seguida, após o refino dos dados, os cientistas realizaram dois tipos de análise da dinâmica costeira: de médio prazo, no qual os dados foram reunidos em três grupos de 10 anos (1985-1995, 1995-2005, 2005-2015) e um de sete anos (2015-2022), estudados separadamente; e de longo prazo, no qual os dados foram analisados sem recortes temporais. Foi a partir deste modelo que os pesquisadores também previram a dinâmica costeira do município para os próximos 20 anos, em que foi revelada a tendência de aceleração da erosão marinha.

Além da elevação das águas marinhas já em andamento, os autores atribuem o aumento erosivo à intensificação da ocupação costeira, devido à urbanização, à industrialização e ao turismo.

“Essa tendência é provavelmente acelerada por atividades humanas, ressaltando a interação entre processos naturais e antrópicos na dinâmica costeira, e representa um desafio significativo em áreas de alto valor turístico como o município do Conde”, afirma o professor Celso Santos, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (DECA) da UFPB e um dos autores do estudo.

Ainda conforme o docente, o estudo pode servir de alerta ao poder público, para que sejam desenvolvidas estratégias de gestão costeira proativas, a fim de minimizar os efeitos da erosão marinha e da elevação do nível do mar, protegendo, assim, sistemas naturais e humanos.

“Os resultados deste estudo fornecem insights valiosos não apenas para o município do Conde, mas também para outras regiões costeiras globalmente, reforçando a necessidade de uma ação climática urgente e coordenada para mitigar os impactos adversos da elevação do nível do mar”, conclui o pesquisador.

Fonte: sites Climate Central e UFPB

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Redação
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