Reajuste da gasolina nas bombas deve ser de pelo menos 2,5%, segundo projeções

Petrobras anunciou alta de 7,11% na gasolina vendida aos distribuidores nas refinarias, no primeiro aumento de 2024

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Gasolina (Foto: Divulgação/Secom-JP)

Após a Petrobras anunciar o reajuste da gasolina de 7,11% nessa segunda-feira (dia 8), analistas de mercado projetaram um aumento de pelo menos 2,5% nas bombas. Agentes do setor dizem que o preço da gasolina já vem subindo nas últimas semanas, refletindo o aumento do preço internacional do petróleo e também o encarecimento do etanol anidro (que é misturado na gasolina) no Brasil devido a problemas na safra de cana-de-açúcar.

Segundo o relato de um dono de uma rede varejista, as distribuidoras já vêm aumentando os preços da gasolina nas últimas semanas Brasil afora. Segundo um deles, somente no último mês foram dois reajustes.

Isso ocorre, explicou a fonte, porque as distribuidoras precisam importar parte da gasolina que vendem, já que a Petrobras não produz o suficiente para todo o consumo do país. Por isso, elas já vêm repassando aumentos da gasolina, na direção dos preços internacionais.

Preço médio

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina passou de R$ 5,85, entre os dias 26 de maio a 01 de junho, para R$ 5,88 entre os dias de 23 e 29 de junho, último dado disponível.

No mesmo período, o etanol hidratado passou de R$ 3,81 para R$ 3,83. O mesmo ocorreu com o diesel, de R$ 5,86 para R$ 5,88. Dados da Esalq apontam aumento de 6,3% no etanol anidro em São Paulo, maior mercado do país, entre os dias 26 de junho e cinco de julho. Já o etanol hidratado subiu 2,7% em São Paulo.

Com o aumento de 7,11% na gasolina vendida pela Petrobras nas refinarias, a expectativa é que os preços na bomba sofram novo aumento nos próximos dias. Segundo estimativa da Warren Investimentos, a alta de R$ 0,20 por litro nas refinarias da Petrobras devem representar um aumento em torno de 2,5% na bomba. Isso elevaria o preço médio de R$ 5,88 para R$ 6,03.

— O reajuste anunciado pela Petrobras não estava no nosso cálculo de inflação. Embora soubéssemos da defasagem, que indicava a necessidade de um reajuste, não esperávamos que a empresa tomaria essa decisão nesta segunda-feira. O reajuste não zera a defasagem. De acordo com nosso levantamento, ainda fica 6% defasado. Mais da metade da defasagem é explicada pela depreciação do real. O desempenho do petróleo explica muito pouco a disparidade — diz Andréa Angelo – estrategista de inflação da Warren Investimentos.

Medida positiva para o mercado

Segundo Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, embora o aumento de preço da gasolina desagrade à população, o mercado vê como uma medida positiva, um sinal de que a Petrobras tomou uma decisão técnica, sem influência política de viés “populista”.

— A gasolina mais cara com toda certeza vai puxar a inflação para cima. Não se tinha essa previsão de aumento, então agora precisaremos considerar esses valores para as próximas projeções. O aumento dos preços da gasolina pode causar um efeito cascata em outros setores da economia. Por exemplo, haverá o aumento do custo de transporte e consequentemente isso pode elevar o preços dos alimentos e de outros bens que dependem da rodovia.

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