Raça faz diferença na hora de disputar uma vaga? Veja o essa pesquisa revelou

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Pesquisadores enviaram 80 mil currículos falsos com origens de nomes supostamente de brancos ou negros a empresas que recrutavam pessoal. A aprovação de candidatos brancos foi maior

Um grupo de economistas realizou recentemente uma experiência com 100 das maiores empresas dos Estados Unidos. Eles criaram currículos e os submeteram a vagas de emprego nas companhias. Os candidatos fictícios tinham qualificações equivalentes, mas com características pessoais distintas: nomes que supostamente sugeririam se aquele profissional, homem ou mulher, era branco ou negro, como Amy e Latisha, ou Adam e Lamar.

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O resultado foi que, em média, os empregadores entravam em contato com os supostos candidatos brancos com uma frequência 9,5% maior do que com seus concorrentes presumidamente negros – o que, para os pesquisadores, demonstra o quão enraizada é a discriminação no emprego em diferentes setores do mercado de trabalho americano.

A pesquisa, já considerada a maior do tipo no país, enviou 80 mil currículos entre 2019 e 2021 para 10 mil vagas em 97 companhias. Os empregos eram de nível básico, sem exigência de diploma universitário ou experiência substancial. Na última semana, os pesquisadores revelaram os resultados com os nomes das empresas.

De acordo com a experiência, a postura dos empregadores variou de acordo com a companhia e o setor. Empresas que exigem muita interação com clientes, como vendas e varejo, foram as mais propensas a mostrar preferência por candidatos presumidamente brancos,. Isso aconteceu mesmo nas candidaturas a posições que não envolviam contato com os consumidores, o que sugere que práticas discriminatórias estavam enraizadas na cultura corporativa ou nas práticas de recursos humanos.

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Um quinto das empresas – a maior parte concessionárias e revendedoras de veículos – foram responsáveis por quase metade da diferença nas respostas a candidatos brancos e negros. Duas delas favoreceram significativamente os profissionais brancos. A revendedora de carros usados AutoNation os contatou 43% mais que os supostamente negros, enquanto a Genuine Parts Company, que vende peças automotivas, procurou os brancos 33% mais vezes.

Em comunicado, Heather Ross, porta-voz da Genuine Parts, disse que a marca está “sempre avaliando nossas práticas para garantir inclusão e derrubar barreiras, e continuaremos a fazê-lo.” A AutoNation não respondeu.

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A falta de viés racial foi mais comum em setores como a indústria e varejo de alimentos, como a rede de supermercados Kroger e a gigante Mondelez, companhias de transporte e frete, como Ryder e FedEx, e de atacado, como Sysco e McLane Company.

“Queremos chamar a atenção das pessoas não apenas para o fato de que o racismo é real, o sexismo é real, e que alguns estão discriminando, mas também que é possível fazer melhor, e há algo a ser aprendido daqueles que têm feito um bom trabalho”, disse Patrick Kline, economista da Universidade da Califórnia que conduziu o estudo com Evan K. Rose na Universidade de Chicago e Christopher R. Walters, em Berkeley.

 

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