Puxada por alimentos, inflação acelera para 0,46% em maio, aponta IBGE

A inflação subiu 0,46% na passagem de abril para maio. Este é o primeiro resultado da coleta de preços que contabiliza os efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul.

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A inflação surpreendeu parte do mercado ao acelerar para 0,46% em maio, segundo dados do IBGE. Analistas projetavam alta de 0,42%, segundo consenso da Bloomberg, mas a pesquisa apontou preços maiores em itens como alimentos e energia elétrica. Este é o primeiro resultado a contabilizar os efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul sobre os preços ao consumidor. Em Porto Alegre, capital do estado, o índice disparou para 0,87%, o maior resultado do país.

  • No ano, a inflação acumula alta de 2,27%
  • Em 12 meses, o IPCA acumula 3,93%, em linha com o observado nos 12 meses imediatamente anteriores

As fortes chuvas que atingiram o estado do RS começaram no dia 27 de abril e se intensificaram no início de maio. A tragédia climática começa a mostrar seus primeiros impactos sobre os preços na economia brasileira.

Porto Alegre tem peso de 8,61% na composição da inflação nacional e é a quarta de maior relevância entre as 16 capitais pesquisadas pelo IBGE – atrás apenas de São Paulo, Rio e Belo Horizonte.

Chuvas afetam oferta de alimentos

A inflação em maio foi puxada, principalmente, pelo avanço dos preços no grupo Alimentação e bebidas. O segmento subiu 0,62% em maio frente abril. Aqui, destacam-se as altas dos tubérculos, raízes e legumes. Só a batata disparou 20,61% em um mês.

Segundo André Almeida, gerente da pesquisa, a oferta da batata ficou reduzida em maio por conta da safra das águas na reta final e um início mais devagar da safra das secas:

— Além disso, parte da produção foi afetada pelas fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul, que é uma das principais regiões produtoras — explica.

Veja a variação da inflação por grupo:

  • Alimentação e bebidas: 0,62%
  • Habitação: 0,67%
  • Artigos de residência: -0,53%
  • Vestuário: 0,50%
  • Transportes: 0,44%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,69%
  • Despesas pessoais: 0,22%
  • Educação: 0,09%
  • Comunicação: 0,14%

O que esperar para a inflação em 2024?

Economistas estimam que os preços ao consumidor deverão fechar o ano ao redor de 3,9%, uma alta menos intensa do que a do ano passado, quando ficou em 4,62%. Isso porque segue em curso o processo de desaceleração da inflação, já que a taxa de juros se mantém alta e inibe grandes avanços dos preços. Por outro lado, analistas têm destacado que a tragédia no Rio Grande do Sul terá impacto sobre o custo de bens e serviços este ano.

O governo subiu a previsão de inflação medida pelo IPCA de 3,50% para 3,70% para 2024, por causa das inundações no estado. Dados do Boletim Focus, que reúne projeções de economistas do mercado financeiro, apontam que a projeção da inflação subiu de 3,88% para 3,9% este ano. Para 2025, as estimativas subiram de 3,77% para 3,78%.

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