Professor deixa legado de R$ 25 milhões para a USP

É a maior contribuição ao fundo, constituído em 2021 para ajudar a financiar e fomentar as atividades maior universidade pública do Brasil, responsável por 20% da pesquisa acadêmica produzida no país.

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Professores Stelio Marras (à esquerda) e Antônio Figueira, diretor do Fundo Patrimonial da USP. (Foto: Mariana Pekin/Divulgação)

Stelio Marras é professor e pesquisador do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) e construiu toda sua carreira acadêmica na Universidade de São Paulo (USP), da graduação ao doutorado. Aos 54 anos, registrou em seu testamento a doação de um imóvel avaliado em R$ 25 milhões para o Fundo Patrimonial da USP. É a maior contribuição ao fundo, constituído em 2021 para ajudar a financiar e fomentar as atividades da maior universidade pública do Brasil, responsável por 20% da pesquisa acadêmica produzida no país.

“Eu não tenho filhos. Mas se eu tivesse ou viesse a ter não deixaria tudo para eles. Na sociedade em que vivemos, a melhor herança que eu poderia deixar é um gesto de solidariedade social” , conta o professor, que relutou em tornar sua contribuição pública, mas foi convencido pelo exemplo que pode dar para fomentar a democratização da educação.

Hoje, sem considerar a doação de Stelio, o Fundo Patrimonial da USP tem R$ 34 milhões de patrimônio. Nesse tipo de veículo, já consolidado em países como os Estados Unidos e na Europa, a ideia é perenizar e dar sustentabilidade aos investimentos filantrópicos: os recursos principais são aplicados e é o rendimento deles que banca projetos específicos.

Os fundos patrimoniais vêm se tornando cada vez mais populares no Brasil, desde uma lei aprovada em 2019 após o incêndio do Museu Nacional, que lançou as bases legais para sua constituição. “Não se trata de substituir o financiamento público. O dinheiro vem do ICMS do Estado para financiar o ensino e as principais atividades. É sobre complementar. podemos trazer dinheiro para fomentar diversas atividades com o capital filantrópico – sejam elas iniciativas de inclusão, pesquisa, manutenção de patrimônio e cultura”, afirma Antônio Figueira, diretor executivo do fundo e professor da Esalq, em Piracicaba.

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Entre os Patronos da USP, que colocaram os primeiros recursos no fundo patrimonial estão nomes como Jaime Garfynkel, da Porto Seguro; o advogado e ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer; e José Luiz Setubal, da família controladora do Itaú Unibanco. Como o fundo patrimonial trabalha aplicando o rendimento dos investimentos, é preciso um volume mais robusto de recursos para que ele, de fato, possa mexer o ponteiro.

Legado Solidário

A doação de bens em testamento para instituições sem fins lucrativos – o chamado legado solidário – ainda é uma prática pouco usada no Brasil. Para isso, é preciso ter um testamento público registrado, com clareza sobre o direcionamento desses bens e clareza quanto a seu uso.

“Ao tornar pública a finalidade dessa minha herança exclusivamente destinada a financiar, no âmbito do Fundo Patrimonial da USP, bolsas de permanência estudantil de alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, esta é também uma aposta que faço em parte das elites brasileiras, que pode então passar a conhecer e, quem sabe, agir por orientação dessas iniciativas. É aposta de que tais elites não são completamente tomadas pelo pior no país marcado pelas terríveis consequências da escravidão, estas que infelizmente permanecerão por muito tempo entre nós, conforme previu, há mais de século, a lucidez do abolicionista Joaquim Nabuco”, declarou.

Fonte: Exame

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Redação
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