Pfizer quer entrar no mercado bilionário do Ozempic com comprimido no lugar de injeções

Ações da empresa sobem quase 3% com avanço em estudos. Analistas calculam que mercado de medicamentos usados para combater obesidade deve movimentar US$ 130 bi até o fim da década

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A está avançando nos estudos com uma pílula para perda de peso, numa tentativa da farmacêutica de entrar no e se recuperar da estagnação pós-pandemia. A pílula é projetada para imitar os efeitos da injeção de semaglutida , vendida como. Embora o Ozempic seja um medicamento com uso aprovado para diabetes tipo 2, é muito usado de forma off-label (finalidade diferente da bula) para o emagrecimento.

O tratamento diário, chamado danuglipron, avançará para um estudo de fase intermediária na segunda metade deste ano, informou a Pfizer nesta quinta-feira, tendo superado um obstáculo científico em um pequeno estudo.

O próximo ensaio será projetado para encontrar uma dose ideal da pílula, disse a farmacêutica, e o medicamento avançará para a fase final de desenvolvimento se for bem-sucedido.

Com o anúncio, as ações da Pfizer subiram quase 3% antes de reduzir os ganhos no início do pregão em Nova York.

A pílula está sendo projetada como uma alternativa sem agulha às populares injeções para perda de peso da Novo Nordisk A/S e da Eli Lilly & Co. A Pfizer disse que espera que as pílulas eventualmente capturem cerca de um terço do mercado de medicamentos para , que os analistas preveem que crescerá para cerca de US$ 130 bilhões até o fim da década.

A Pfizer tem enfrentado dificuldades para avançar no tratamento da obesidade. No fim do ano passado, a empresa interrompeu o desenvolvimento de uma versão de danuglipron de duas doses diárias depois que altas taxas de náusea e vômito levaram pacientes a abandonar um estudo de fase intermediária com cerca de 1.400 pessoas. Meses antes, abandonou outro medicamento oral para obesidade que mostrou efeitos preocupantes no fígado em um ensaio.

A empresa está anos atrás da Novo e da Lilly, cuja injeção semanal Zepbound está prestes a alcançar altas vendas após obter aprovação nos Estados Unidos no ano passado. A Lilly também tem um tratamento oral para obesidade na fase final de desenvolvimento. AstraZeneca, Structure Therapeutics e outras empresas também estão desenvolvendo medicamentos orais para o tratamento da obesidade.

Pequeno Estudo

A Pfizer estudou a versão de dose diária de danuglipron em um ensaio que inscreveu apenas 20 pessoas, de acordo com um registro federal, testando quatro formulações do medicamento para determinar qual poderia ser a mais eficaz. A empresa não divulgou resultados detalhados do estudo, dizendo apenas que estava avançando com uma delas.

Se a pílula for bem-sucedida, poderá aliviar parte da pressão sobre o CEO da Pfizer, Albert Bourla, que tem enfrentado dificuldades para convencer os investidores de que o portfólio de medicamentos da empresa pode eventualmente interromper seu declínio pós-pandemia.

As vendas caíram 20% no primeiro trimestre de 2024, à medida que a demanda por sua vacina e pílula contra a Covid-19 despencou. A previsão financeira da Pfizer para este ano ficou bem abaixo das expectativas de Wall Street e sua vacina para o Vírus Sincicial Respiratório(RSV) teve um desempenho abaixo do esperado.

A reação inicial dos analistas permanece moderada, no entanto. A atualização há muito esperada da Pfizer sobre sua pílula para obesidade revela pouco, e no melhor cenário possível, o medicamento só poderia ser lançado em 2028, “quando vários concorrentes já poderiam estar disponíveis”, disse Sam Fazeli, diretor de pesquisa da Bloomberg Intelligence.

— O progresso aqui tem sido mais lento do que o esperado e não oferece nada por enquanto para avaliar o potencial posicionamento competitivo — disse Fazeli.

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