Petrobras vai retomar todas as unidades de fertilizantes, ‘uma por uma’, diz Prates

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Fábrica no Paraná, que foi colocada à venda por Bolsonaro, recebeu aval da diretoria para ser reiniciada. Estatal também negocia parceria com chineses para instalação no Mato Grosso do Sul

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, disse nesta quinta-feira que a estatal vai recuperar todas as unidades de fertilizantes no Brasil. A empresa informou na noite anterior que retomaria as operações da fábrica Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná, que estava com as atividades suspensas (hibernadas) desde 2020.

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Ela havia sido coloca à venda pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mas o processo foi cancelado com a chegada do PT ao governo, que considera a área de fertilizantes estratégica para a Petrobras.

— Vamos recuperar uma por uma. Se for viável, e faremos que seja viável, como em Mato Grosso. Ontem, anunciamos a (retomada da) Ansa. Temos o mandato do Conselho (De Administração) para voltar para a área de fertilizantes. Vamos dar a solução viável e lucrativa para cada uma das unidades de fertilizantes. Vamos recuperar com governança, ouvindo TCU (Tribunal de Contas da União). Parece que estamos recuperando coisas proibidas, por causa do passado — disse Prates.

A decisão de retomar a Ansa foi tomada na quarta-feira, em reunião feita pela diretoria executiva da estatal. Ela tem capacidade de produção de 720 mil toneladas por ano de ureia e 475 mil toneladas por ano de amônia, produtos usados para a produção de fertilizantes usados na agricultura.

“Diante da revisão das diretrizes estratégicas da companhia aprovadas no ano passado, o investimento na produção de fertilizantes voltou a fazer parte do portfólio da Petrobras”, disse a estatal em nota.

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A decisão ocorre após uma briga entre Jean Paul Prates e Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia (MME), que resultou em rumores de uma possível mudança no comando da Petrobras. Esse cenário, porém, perdeu fôlego nas últimas semanas.

Para que a Ansa volte a funcionar, a Petrobras vai negociar com ex-empregados e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) os termos da contratação e realizar licitações para a compra de materiais e serviços. Ainda falta, porém, definir como serão esses procedimentos, destacou a estatal. A Petrobras ainda não definiu quando a unidade vai voltar a operar.

Em fevereiro, a estatal anunciou com a norueguesa Yara um memorando de entendimentos visando estudos de potenciais parcerias de negócios para iniciativas locais no segmento de fertilizantes e produção de produtos industriais.

Segundo uma fonte do setor, as conversas entre as duas empresas envolvem a combinação de operações, como em Cubatão para “criar uma maior competitividade”. Os estudos, ainda em fase inicial, podem agregar outras operações. As companhias assinaram o acordo justamente para trocarem dados financeiros.

Conversa com chineses para unidade em MS

Além da Ansa, há a expectativa em torno da retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) no município de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul (MS). 

De acordo com fontes, a companhia vem mantendo conversas com os chineses da Sinopec para a retomada da UFN-III. A unidade  começou a ser construída em 2011 e hoje está cerca de 80% pronta. As obras, no entanto, estão paradas desde dezembro de 2014. Em 2017, a Petrobras chegou a colocar a fábrica à venda, mas sempre encontrou dificuldades para se desfazer da unidade.

Segundo essas fontes, a Sinopec já deu indícios à Petrobras de que tem interesse no empreendimento. A proposta que está sendo costurada é que os chineses terminem a obra e recebam parte em ações do empreendimento em troca. Isso vai permitir, de acordo com essas fontes, mais celeridade ao início da retomada das obras, cuja intenção da estatal é iniciar já neste ano.

Para essa fonte, se a Petrobras abrir uma nova licitação para retomar as obras sozinha, o cronograma poderia atrasar para 2025. 

Ainda não se sabe qual seria o total de ações que a Sinopec teria no empreendimento em Três Lagoas, pois esse percentual pode variar a depender da intenção entre as duas companhias. “O cenário ainda está sendo desenhado, mas o cenário desejável é iniciar as obras esse ano”, disse essa fonte. 

Na manhã desta quinta-feira, a estatal assinou com empresa China National Chemical Energy Company (CNCEC) um protocolo de intenções abrangendo diversas áreas, com destaque para energias renováveis e transição energética.

“A parceria também prevê a avaliação de potenciais acordos comerciais nas áreas de exploração de petróleo; produção de fertilizantes a partir de gás natural e outras fontes; desenvolvimento da produção; refino; biorrefino e petroquímica; engenharia, construção e serviços; além de pesquisa, desenvolvimento e inovação˜, disse a estatal em nota.

Segundo a Petorbras, o acordo terá duração de dois anos e será imediatamente ativado com a análise conjunta de ativos de fertilizantes e petroquímica.

 

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