Mudança da previdência dos militares cogitada por Tebet tem oposição de Múcio, que deve levar preocupações a Lula

Militares entendem que mexer apenas nos benefícios das Forças Armadas não resolve problema do Brasil

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A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, em audiência no Congresso — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

A possibilidade de revisão da previdência dos militares com o objetivo de cortar despesas do governo já gera ruídos no primeiro escalão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de sofrer resistência por parte de integrantes das Forças Armadas. A necessidade de uma alteração no benefício foi sugerida na semana passada pela ministra do Planejamento, Simone Tebet. Desde então, o ministro da Defesa, José Múcio, tem dito a interlocutores ser contra a iniciativa. Segundo ele, a categoria só aceitaria uma mudança na aposentadoria se houvesse revisão de outras ‘gorduras’ nos gastos do governo.

Essa preocupação deve ser levada por Múcio a Lula em reunião no Palácio do Planalto marcada para a manhã desta terça-feira. Militares de alta patente afirmam que “tocar no vespeiro” poderia tumultuar a relação entre governo e quarteis, em momento tranquilidade.

Na visão de Múcio, a revisão da previdência dos militares só faz sentido se o governo enfrentar temas como os supersalários do Judiciário e demais servidores do Executivo. Seria “preciso mexer no conjunto”.

Os militares que têm trabalhado por uma aproximação com Lula e o apaziguamento da relação desde o 8 de janeiro dizem que a revisão da previdência poderia voltar a favorecer o tensionamento.

Um dos argumentos para barrar a iniciativa é a precariedade do regime de trabalho dos militares, sem hora extra, aviso prévio e demais direitos de civis. Também argumentam que os reservistas podem ser convocados a qualquer momento.

Ontem, os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, mostraram uma série de dados a Lula apontando para o déficit fiscal no país, incluindo despesas com pessoal. Lula analisa as demandas da equipe econômica e deve tomar uma decisão sobre em quais áreas os excessos de gastos poderão ser cortados.

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