Mercadante diz que desembolsos do BNDES subiram 32% no 1º trimestre, para o maior patamar desde 2016

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Aprovações saltaram 92% no período. Presidente do banco cobra aval do Congresso a projeto de lei que viabiliza a Letra de Crédito do Desenvolvimento, que vai financiar projetos estruturantes

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, revelou que o banco teve o maior volume de desembolsos desde 2016 no primeiro trimestre, com elevação de 32% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

Ele disse ainda que as aprovações saltaram 92%, para o maior nível desde 2015. O presidente do banco, no entanto, não informou valores. A divulgação do desempenho do banco será em 2 de maio.

O BNDES tem diferentes estágios para aprovação e liberação dos empréstimos. O primeiro é a consulta, quando os empresários demonstram intenção em obter crédito. O segundo é enquadramento, que identifica se o financiamento está dentro dos critérios exigidos pelo banco.

Em seguida vêm aprovação e desembolso. Este último é quando o dinheiro é efetivamente liberado. Um salto grande nas aprovações, portanto, indica que os desembolsos devem crescer ainda mais adiante.

Durante o governo Bolsonaro, o BNDES reduziu seus desembolsos. No governo Lula, eles voltaram a crescer com força.

Mercadante também cobrou a aprovação pelo Congresso do projeto de lei que viabiliza a Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD), que pode adicionar R$ 10 bilhões ao ano em financiamentos de projetos estruturantes, oferecendo taxas melhores a quem buscar o crédito.

Esse instrumento de captação incentivada será similar às Letras de Crédito Agrícola (LCA) e do setor Imobiliário (LCI).

— Os juros internacionais podem subir e vamos ter que buscar soluções. Uma delas é o Congresso aprovar a Letra de Crédito para Indústria porque dá competitividade.

O vice-presidente Geraldo Alckmin voltou a afirmar que o governo planeja acelerar a reindustrialização do país, com o objetivo de gerar mais empregos e melhorar o nível de renda da população brasileira.

A meta é mobilizar cerca de R$ 300 bilhões em apoio a projetos de neoindustrialização entre 2024 e 2026, com R$ 250 bilhões do BNDES.

A facilitação do crédito será feita por meio do Plano Mais Produção, cuja plataforma foi lançada nesta quinta-feira, no Fórum de Debate para o Desenvolvimento “Financiamento à neoindustrialização: mobilizando o crédito para a inovação”, que ocorreu no Rio de Janeiro na sede do banco, promovido pela instituição em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

— Transparência é sinônimo de eficiência, mostrando para onde vai o crédito, o valor, o prazo — disse Alckmin se referindo à plataforma lançada.

O vice-presidente ainda disse que a redução de impostos pode estimular a troca de máquinas e equipamentos em prazos mais curtos, ajudando a renovar o parque industrial brasileiro.

Na abertura do evento, Celso Pansera, presidente da ABDE e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), destacou a importância de retomar a relevância da indústria na economia nacional:

— A nossa indústria saiu de 21% para 11% do PIB. Ao ponto que a economia cresceu, o país perdeu a densidade da indústria, que se tornou mais primária, mais básica. Somos a 49º nação em inovação.

E acrescentou:

— O desafio é garantir que empresários que tenham interesse em inovar, mudar sua capacidade, produtos e sistema tenham acesso a crédito facilitado. Além do BNDES, outros bancos públicos vão ingressar nesse sistema — contou.

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