Lula se reúne com equipe econômica para tratar sobre gastos após dólar disparar

Dólar chegou a bater R$ 5,70 nessa terça-feira

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Presidente Lula e Ministro da Fazenda, Fernando Haddad — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir nesta quarta-feira (3), com a equipe econômica para tratar da agenda fiscal em meio ao aumento ininterrupto do dólar. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já estava combinada a discussão do tema quando o presidente retornasse de viagens pelo Brasil.

— A nossa agenda com o presidente (nesta quarta) é exclusivamente fiscal, para apresentar propostas para cumprimento do arcabouço de 2024, 2025 e 2026 — adiantou Haddad a jornalistas nessa terça-feira.

A expectativa é de mais de uma agenda entre Lula e Haddad nesta quarta, mas ainda não há horários definidos. Em um dos encontros, também está prevista a participação da ministra do Planejamento, Simone Tebet, da ministra da Gestão, Esther Dweck, e do ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Em uma semana de muita tensão no mercado financeiro, a cotação do dólar subiu quase 30 centavos. Nesta terça-feira, chegou a bater R$ 5,70, mas fechou em R$ 5,66. No início de junho, estava em R$ 5,25. O rápido enfraquecimento da moeda brasileira ocorre na esteira de uma série de entrevistas de Lula, questionando a necessidade de uma contenção de gastos públicos e a autonomia do BC.

Nesta terça, o petista afirmou que a subida do dólar o preocupa e que a alta constante da moeda faz parte de um jogo “especulativo” e de “interesses” contra o real.

— Obviamente que me preocupa essa subida do dólar, é uma especulação, é um jogo de interesses especulativo contra o real nesse país. E eu tenho conversado com as pessoas sobre o que a gente vai fazer. Estou voltando (para Brasília) e quarta-feira terei uma reunião, porque não é normal o que está acontecendo, não é normal — disse o presidente em entrevista à rádio Solidariedade, de Salvador (BA).

A preocupação do mercado financeiro é sobre a sustentabilidade do novo arcabouço fiscal, proposto pelo governo Lula em 2023, diante de um aumento expressivo de algumas despesas públicas, como a previdência. Dentro do Orçamento, há alguns gastos que crescem continuamente acima da regra de atualização anual do limite do arcabouço, o que comprime, ao longo do tempo, outras despesas.

Há algumas semanas, Haddad e Tebet disseram que iriam acelerar a agenda de contenção de gastos, após uma Medida Provisória (MP) que aumentava a arrecadação ter sido devolvida pelo Congresso. A equipe econômica não abre, contudo, as opções na mesa, embora diga que o “cardápio vai de A a Z”. Na ala política, a ideia é começar com um pente-fino em benefícios previdenciários e assistenciais, para combater fraudes e recebimentos indevidos. Mas Fazenda e Planejamento entendem que é necessário ir além.

O presidente já descartou, contudo, a desvinculação dos benefícios previdenciários e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) do salário mínimo. Lula também já indicou que não deve mexer com os gastos com os militares no curto prazo.

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