Lula descarta desvincular Benefício de Prestação Continuada do reajuste salário mínimo

Presidente diz ainda que a política de valorização do piso nacional não será alterada

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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (Foto de Chris Jackson/Getty Images)

Na manhã desta quarta-feira (dia 26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo está fazendo um pente-fino nos gastos da União, mas descartou a intenção de desvincular o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) e as pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) do reajuste do salário mínimo.

— Não é (possível), porque não considero gasto. Salário mínimo é o mínimo que uma pessoa precisa para sobreviver. Se acho que vou resolver o problema da economia brasileira apertando o mínimo do mínimo, estou desgraçado. Não vou para o céu, ficaria no purgatório — afirmou o presidente, em referência aos benefícios previdenciários.

Ainda segundo ele, é preciso saber se o “problema” é “cortar ou aumentar a arrecadação”.

— Gasto está sendo bem feito? Acho que está. Nós estamos fazendo uma análise de onde tem gasto exagerado, que não deveria ter, onde tem pessoas que não deveriam receber e estão recebendo. E com muita tranquilidade, sem levar em conta o nervosismo do mercado, levando em conta a necessidade de você manter política de investimento — disse o presidente.

Segundo Lula, a análise do governo considera se um possível corte de gastos no orçamento governo realmente é necessário.

— O problema não é que tem que cortar, o problema é saber se precisa efetivamente cortar, ou se a gente precisa aumentar a arrecadação. Temos que fazer essa discussão — explicou Lula, que completou: — O problema no Brasil é que a gente diminuiu muito a arrecadação.

Medidas em discussão

O governo prepara uma série de medidas para detectar e cortar benefícios irregulares. Entre elas, o Ministério da Previdência Social prevê triplicar daqui até o fim do ano a economia já obtida com o pente-fino nos pagamentos de benefícios iniciado em janeiro.

O ministro Carlos Lupi já havia afirmado que a pasta poupou R$ 750 milhões até o meio de maio. A avaliação é que seria possível obter mais R$ 2,25 bilhões, levando o total economizado no ano a R$ 3 bilhões com suspensão de benefícios por fraude ou erro.

Crítica ao presidente do Banco Central

No início da semana passada, Lula fez uma série de críticas ao presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, em entrevista à rádio CBN. Ao longo dos dias, o presidente deu novas declarações e voltou a subir o tom contra Campos Neto, a quem classificou, na sexta-feira, de adversário “político, ideológico e do modelo de governança”.

Na mesma entrevista, à rádio Mirante News FM, de São Luís, o presidente ainda falou que está chegando o momento de trocá-lo por outra pessoa, referindo-se ao fim do seu mandato como presidente do BC no final de 2024.

— O presidente do Banco Central é um adversário político, ideológico e adversário do modelo de governança que nós fazemos. Ele foi indicado pelo governo anterior e faz questão de dar demonstração de que não está preocupado com a nossa governança, ele está preocupado é com o que ele se comprometeu — disse Lula em entrevista à rádio maranhense Mirante News FM.

A semana passada foi marcada por sucessivas críticas do chefe do Executivo a Campos Neto. Nos últimos dias, Lula disse que o presidente do BC “tem lado” e não demonstra “capacidade de autonomia”.

— Está chegando o momento de trocar, vamos ter que tirar ele e colocar outra pessoa, e eu acho que as coisas vão voltar à normalidade, porque o Brasil é um país de muita confiabilidade. Esse nervosismo especulativo que está acontecendo não vai mexer com a seriedade da economia brasileira — completou Lula.

Na quinta-feira, Lula havia lamentado a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 10,50% ao ano, após sete cortes consecutivos iniciados em agosto do ano passado, quando a taxa estava em 13,75%.

A decisão do Copom acerca da manutenção da taxa básica de juros aconteceu na quarta-feira. Mesmo os diretores indicados por Lula, que vem pedindo juros mais baixos, votaram pela interrupção do ciclo de cortes.

Campanha

Já em entrevista à rádio Verdinha, de Fortaleza, também na semana passada, Lula havia afirmado que fará campanha contra “adversários ideológicos” nas eleições municipais de outubro, mas ponderou que precisará ter cuidado para não ter “um revés no Congresso Nacional” com eventuais descontentamentos de partidos que integram a base do governo.

— O papel do presidente da República é um papel que exige mais cuidado e responsabilidade. Tenho que levar em conta que, embora pertença a um partido político, tenho uma base de apoio no Congresso Nacional que extrapola meu partido. Então tenho que levar em conta se nas cidades esses partidos que me apoiam estão disputando, tenho que levar em conta quem são os adversários e aí naquele que o adversário ideológico ou adversário negacionista, você pode ter certeza que eu vou fazer campanha — afirmou na ocasião.

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