Luana Andrade comprou seu primeiro imóvel antes dos 25 anos.

Para morar ou ter uma renda extra, a geração Z deseja uma casa para chamar de sua

Aos 24 anos, perto de fazer 25, a executiva Luana Andrade, sentiu-se pressionada a ter uma vida mais “adulta”, a pensar no futuro… “Então, dei uma pausa na minha rotina de viagens constantes e zero planejamento e comecei elaborar alguns passos que, sempre ouvi, me trariam ‘segurança’.  A primeira coisa que fiz foi comprar um carro, sonho de criança, e o próximo passo lógico me pareceu ser um imóvel”, relembra.

Decisão tomada, Luana procurou uma incorporadora de confiança e depois de conhecer vários projetos do seu perfil, encontrou um ainda na fase de construção. “Me apaixonei, foi amor à primeira vista e, felizmente, consegui comprar algo que eu realmente amava”, conta. Com a ajuda da construtora, financiou uma parte do valor do imóvel e, hoje, a obra está em fase final de conclusão. A tão desejada “primeira propriedade” de Luana fica pronta em fevereiro do ano que vem.

Assim como Luana, que hoje tem 28 anos, 37% dos jovens da geração Z – nascidos entre 1995 e 2010 – demostram a intenção de adquirir um imóvel, segundo pesquisa da Brain Estratégia, encomendada pelo jornal O Estado de São Paulo. O levantamento indicou também as características que esses jovens valorizam na hora da compra: localização, equipamentos de uso comum e tecnologia.  

A localização, até mais do que a metragem do imóvel, tem um peso muito maior. Esqueçam as residências espaçosas e grandes, para famílias numerosas. A utilidade é muito mais valorizada, com foco na melhor distribuição dos cômodos. Mas isso não quer dizer que os jovens dispensem o conforto. Eles apenas enxergam de outra forma e assim, ter acesso fácil a serviços, transporte, entretenimento e cultura é muito mais importante do que o espaço interno.

A infraestrutura dos condomínios é outro ponto fundamental e deve incluir, além de lazer, facilidades para o dia a dia, como máquinas de lanches, bicicletário, espaços para animais de estimação e até mesmo para salas para estudo/trabalho. Diferenciais como serviços “pague e use”, como lavanderia, diarista, academia, entre outros semelhantes, adquiridos facilmente sob demanda, também podem ser decisivos.

Na hora de comprar, o jovem, segundo a pesquisa, prefere ferramentas digitais para pesquisar, comparar e conduzir a maior parte das etapas do processo. De um modo geral, buscam simplificação, objetividade e informações completas, além, claro, de preços atrativos.

A poupança da geração Z

E como essa geração guarda dinheiro? Esqueça a tradicional caderneta de poupança. A geração Z prefere outros produtos financeiros, como fundos, moedas digitais e ações. É o que mostra outro levantamento, desta feita realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos mercados Financeiro e de Capitais (Ambima), em parceria com o Datafolha. As justificativas para a preferência por produtos financeiros são o retorno do investimento, em primeiro lugar com índice de 37%, seguido de segurança financeira. O resultado foi o inverso do registrado no ano anterior, quando a segurança era apontada como a principal vantagem de se investir para esse grupo.

Sobre o destino do dinheiro guardado, nenhuma surpresa: em primeiro lugar a compra de um imóvel; em segundo aparece o desejo pela compra de carro/moto; em terceiro, ter uma reserva financeira para emergências e, em quarto, vem a educação, com o objetivo de fazer um curso, por exemplo.

Perfil de investidor

Lucas Nóbrega, 27, é proprietário de um flat de 29 m² em Cabedelo.

Já para Lucas Nóbrega, 27 anos, cofundador de uma das maiores operações de suplementos alimentares do país, o desejo de ter um investimento mais tradicional e menos arriscado o levou a optar pelo setor imobiliário. “Depois de consolidarmos a operação da nossa empresa no mercado digital, senti a necessidade de diversificar parte do meu capital-pessoa física”, relata o investidor “de primeira viagem”, que adquiriu um flat de 29 m² em Ponta de Campina.  

Para transformar desejo em realidade, Lucas procurou recomendação de pessoa da família. “Ele intermediou todo o processo de compra, o que me tranquilizou bastante. Acabei optando por uma unidade um pouco mais cara do que eu planejava inicialmente, pela oportunidade que me foi apresentada na ocasião. Não me arrependo”, afirma.

Parte do valor do imóvel foi financiada diretamente com a construtora, porque, no modelo de negócio do empresário, o fluxo de caixa é algo de extrema importância, não sendo recomendada a imobilização de capital. “Além disso, por ser meu primeiro investimento, havia um certo receio sobre o futuro e o que poderia acontecer caso algum fator externo impossibilitasse a conclusão e/ou entrega do empreendimento”, revela.

Lucas considera que sua experiência muito bem-sucedida, com retorno acima do esperado. Tanto que novos planos estão sendo gerados. “Nunca tive o sonho de ter um imóvel – talvez porque, quando a ideia surgiu, eu já tivesse condições de comprar um. No entanto, o desejo de adquirir um novo empreendimento para chamar de “lar” vem amadurecendo com o tempo”, planeja.

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