FMI critica EUA por taxação de produtos chineses e diz que medida pode prejudicar economia global

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Instituição criticou decisão do presidente dos EUA, Joe Biden, de aumentar agressivamente as tarifas de importação de produtos industriais da China, como carros elétricos e painéis solares

O Fundo Monetário Internacional criticou a , como carros elétricos e painéis solares.

A instituição multilateral ressaltou o seu alerta de que as tensões entre as duas principais economias do mundo correm o risco de prejudicar o comércio internacional e o crescimento econômico global.

— A nossa opinião é que os EUA se beneficiariam mais se mantivessem políticas comerciais abertas que têm sido vitais para o seu desempenho econômico — disse hoje a porta-voz do , Julie Kozack, em Washington, quando questionada por jornalistas sobre a medida tomada no início desta semana.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgvieva, havia afirmado no mês passado que “todos os olhos estão voltados para os EUA”, em mais um passo na escalada de críticas do Fundo ao seu maior e mais influente acionista por causa do impacto global de suas políticas econômicas.

Isso inclui os crescentes níveis da dívida pública americana, as restrições comerciais e as políticas industriais dirigidas à China, e até o impacto da política monetária restritiva do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, que enfraquece moedas dos países frente ao dólar com a manutenção do atual patamar de juros altos.

Estudo do FMI mostra que a fragmentação da economia global pode ter uma série de consequências, incluindo perdas potenciais de até 7% no PIB global, o equivalente às economias de Alemanha e Japão somadas. O custo seria maior se houvesse uma interrupção mais severa no comércio internacional e dificuldades de acesso a tecnologias, disse Kozack:

— Encorajamos os EUA e a China a trabalharem juntos em prol de uma solução que dê respostas às preocupações subjacentes que exacerbaram as tensões comerciais. E, de forma mais ampla, instamos todos os países a trabalharem, no quadro multilateral para resolver as suas diferenças.

Biden aprofunda medidas

A principal conselheira econômica de Biden, Lael Brainard, defendeu hoje que as novas tarifas são necessárias para proteger os recentes ganhos na produção industrial e na geração de empregos nos EUA do que chamou de “exportações injustamente subvalorizadas da China”.

Depois de anunciar, na terça-feira, aumentos significativos nas tarifas de importação de uma série de produtos chineses — em uma tentativa de reforçar a produção da indústria americana em ano eleitoral —, acusando a China de trapacear no comércio internacioal com subsídios pesados a seus produtos, o governo Biden anunciou hoje novas medidas protecionistas.

Atendendo a pedidos de fabricantes americanos da cadeia de painéis solares insatisfeitos com o aumento das importações, o governo americano anunciou medidas como aumento de tarifas de importação desses equipamentos para estimular a demanda pelo produto nacional.

— Estamos tomando essas medidas esta semana para apoiar as indústrias de energia limpa dos EUA, tanto para garantir que estamos fazendo nossa parte para reduzir as emissões de carbono como para garantir que a nossa concorrência com a China seja realmente justa — afirmou John Podesta, conselheiro do presidente para a política climática internacional.

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