Extradição ou cumprimento da pena na Espanha: chefe da PF cita alternativas após prisão de ex-CEO da Americanas

De acordo com as investigações, Miguel Gutierrez participou de um esquema que escondeu nos balanços da varejista um rombo estimado em R$ 25 bilhões

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Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF) — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

O diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues afirmou que o ex-CEO da Americanas Miguel Gutierrez poderá ser extraditado para o Brasil ou cumprir uma eventual pena na Espanha, onde foi preso preventivamente nesta sexta-feira. O executivo um rombo estimado em R$ 25 bilhões.

Ao tentar cumprir o mandado contra Gutierrez em sua casa no Leblon, Zona Sul do Rio, os investigadores não o localizaram na manhã de ontem. De acordo com Rodrigues, o nome do executivo foi então imediatamente inserido na Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).

— Não estamos condenando antecipadamente ninguém nem apresentando nenhum veredito, mas estamos apresentando à justiça criminal o material que colhemos durante as investigações — explicou o delegado, em entrevista à Globonews.

Rodrigues também informou que a ex-diretora da varejista, Anna Christina Ramos Saicali, que teria viajado para Portugal, ainda é considerada foragida. Diferente de Gutierrez, ela não tem dupla cidadania e estaria no país europeu com um visto de trabalho há cerca de duas semanas.

Ambos são investigados por crimes como manipulação de mercado, uso de Informação privilegiada, também conhecido como “insider trading”, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Caso sejam condenados, as penas podem chegar a até 26 anos de prisão.

De acordo com o inquérito, a fraude teria consistido em uma espécie de maquiagem de operações de risco sacado, mecanismo pelo qual os bancos abrem linhas de crédito para que os fornecedores abatam faturas com desconto e depois cobrem o valor da Americanas.

A operação realizada nesta quinta-feira foi baseada em documentos, como planilhas, trocas de e-mails e mensagens, além das informações fornecidas nos acordos de delação premiada firmado com os ex-executivos Marcelo Nunes e Flávia Carneiro, que destrincharam nos depoimentos o modus operandi do esquema.

No parecer do MPF, os procuradores apontam que a manipulação de mercado está caracterizada a partir do momento que, ao atingir, fraudulentamente, uma meta interna, os executivos tinham plena ciência de que isso teria um reflexo necessário na cotação das ações no mercado de capitais. Por se tratar de companhias de capital aberto, os resultados econômicos e contábeis eram necessariamente comunicados ao mercado.

Os investigadores pontuam que o conjunto probatório deixa evidente ainda que alguns dos executivos utilizaram informações privilegiadas no mercado de capitais para auferirem lucros. Ao tomarem conhecimento da existência de um grande rombo contábil na Americanas e, diante da percepção de que o tema se tornaria público em pouco tempo, eles teriam iniciado uma verdadeira corrida para a venda de ações.

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