Ex-executivos da Americanas venderam R$ 258 milhões em ações antes de fraude ser descoberta, diz MPF

PF imputou aos alvos o crime de uso de informação privilegiada para obter 'vantagens indevidas' no mercado financeiro

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Em recuperação judicial, Americanas fecha 38 lojas entre janeiro e maio de 2023, e está pagando fornecedores em um prazo de apenas quatro dias — Foto: Domingos Peixoto/Agência O Globo

A investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal aponta que onze ex-executivos da Americanas venderam R$ 258 milhões em ações antes de as fraudes serem descobertas, o que os enquadraria no crime de “insider trading” (uso de informação privilegiada).

Segundo os investigadores, a movimentação ocorreu assim que eles foram informados que haveria uma troca na diretoria da empresa, o que poderia levar à descoberta das irregularidades contábeis. Desta forma, se anteciparam vendendo as ações do grupo.

Os dois executivos que mais lucraram com a manobra foram o ex-CEO Miguel Gutierrez, que vendeu R$ 158 milhões em uma “movimentação totalmente atípica”, segundo a procuradoria do Rio. E a ex-diretora Anna Saicali, que “seguiu o mesmo padrão” de Gutierrez e comercializou R$ 57,8 milhões. As vendas ocorreram entre julho de 2022, quando eles tomaram ciência da troca da diretoria, e janeiro de 2023, quando foi divulgado o rombo bilionário que levou a empresa a entrar em recuperação judicial.

De acordo com o MPF, os ex-executivos, ao perceberam que a fraude seria descoberta, “iniciaram um forte processo de venda de ações, a fim de vendê-las por preço acima do que seria avaliado pelo mercado após a divulgação da fraude”. Ainda de acordo com a Procuradoria, houve “uma grande concentração de vendas dos principais artífices das fraudes justamente nos meses de agosto a outubro de 2022, demonstrando que, valeram-se de informação relevante, ainda não divulgada ao mercado, capaz de propiciar, para eles, vantagem indevida, mediante negociação, em nome próprio, de valores mobiliários”.

Gutierrez e Saicali foram alvos de mandados de prisão preventiva decretados pela Justiça Federal do Rio de Janeiro nesta quinta-feira. Como moram fora do Brasil, os dois já são considerados foragidos.

A defesa de Miguel Gutierrez disse em nota que não teve acesso aos autos das medidas cautelares deferidas nesta quinta-feira e por isso não vai comentar. “Miguel reitera que jamais participou ou teve conhecimento de qualquer fraude e que vem colaborando com as autoridades, prestando os esclarecimentos devidos nos foros próprios”, informou em nota.

Procurada, Anna Christina Ramos Saicali, ainda não se pronunciou.

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