Eletrobras quer cortar salário de funcionários e ter flexibilidade para demitir

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Proposta prevê redução de 12,5% no valor do salário dos funcionários que ganham abaixo de R$ 15.572

A Eletrobras está em negociação para rever alguns pontos do seu acordo coletivo de trabalho. Entre as propostas está a redução de 12,5% no valor do salário dos funcionários que ganham abaixo de R$ 15.572 e foram admitidos antes de 17 de junho de 2022. Além disso, a companhia, que foi privatizada no governo de Jair Bolsonaro, quer ter flexibilidade para poder reduzir o quadro de colaboradores.

A proposta foi apresentada no dia último dia 02 abril e enviada ontem aos sindicatos. Se não chegarem a um acordo, o tema será mediado Tribunal Superior do Trabalho (TST). Segundo fontes que representam os trabalhadores, a proposta da Eletrobras foi classificada como “desalinhada”, já que os sindicatos pedem 5,64% de reajuste.

Segundo a proposta da Eletrobras ao qual O GLOBO teve acesso, há ainda adequação ao novo plano médico, com a contratação de uma operadora única de mercado. Segundo a empresa, a unificação vai permitir redução de custos.

Uma fonte que representa os trabalhadores explicou que as empresas do grupo Eletrobras têm planos de autogestão, como Furnas, com o Real Grandeza Saúde; a Eletrobras, com o Eletros Saúde; a CHESF, com o Fachesf Saúde; a Eletronorte, com o E-Vida; e a Eletrosul tem o Elos Saúde. “A proposta prevê tirar as vidas destes planos e colocar em uma única operadora”, disse a fonte.

Outra mudança envolve a “manutenção da remuneração variável, por metas, também com patamares de mercado”. Uma fonte disse que a intenção da Eletrobras é adequar seus contratos de trabalho para o setor privado, já que as cláusulas trabalhistas ainda são referentes ao período em que a Eletrobras era estatal.

Hoje, a companhia conta com cerca de oito mil colaboradores. Por isso, a Eletrobras quer poder demitir funcionários assim como no setor privado, mas hoje a convenção prevê cortes apenas com a realização de “plano de desligamento voluntário incentivado”. Os dois últimos programas de cortes feitos pela empresa somaram 4.066 pessoas. “O sindicato não quer flexibilizar demissões”, disse um dos representantes.

A redução salarial proposta pela empresa tem como meta chegar a “valores condizentes com o mercado”. Por isso, há redução de todos salários abaixo de R$ 15.572,04 em 12,5%. Acima disso, a negociação é individual.

Procurada, a Eletrobras disse que está em negociação com os sindicatos que representam seus profissionais e busca um acordo coletivo baseado nas determinações da lei e na construção de uma empresa cada vez mais robusta.

 

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