Dólar a R$5,12: por que a moeda americana está subindo? Entenda em cinco pontos

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Cotação teve valorização de 5% desde o início do ano

O dólar fechou o dia cotado a R$5,12 , valorizando 0,61%. No ano, já subiu 5%. Mas o que está levando à valorização da moeda americana frente ao real este ano? Veja, em cinco pontos, as explicações dos analistas para o movimento no mercado de câmbio.

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1. Tensão no Oriente Médio

Para Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe da Warren Investimentos, a escalada de tensões entre Irã e Israel e os temores de que ataques ocorram no sábado fizeram a moeda se valorizar não só no Brasil, mas no mundo. Na máxima do dia, a cotação chegou a R$ 5,14, maior patamar desde 10 de outubro:

– É um movimento tipico de aversão a risco. Todo o conjunto de moedas emergentes se depreciou por conta do possível conflito – diz, indicando que o índice DXY, que compara o dólar com seis moedas de economias fortes, também registrava avanço de 0,7% por volta das 17h desta sexta-feira.

O temor do agravamento do conflito na região leva os agentes a buscarem moedas mais fortes e outros ativos, como o ouro, que vem atingindo níveis recordes de preço.

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2. Juros americanos

Os juros americanos estão no maior patamar em 20 anos desde julho de 2023. Atualmente, está entre 5,25% e 5,5% ao ano, o que leva os investidores a procurar pelos papéis do Tesouro americano, um ativo mais seguro do que os títulos dos países emergentes.

Isso drena os investimentos em papéis de empresas em todo o mundo que podem até dar retornos maiores, mas são mais voláteis e bem menos atrativos quando a taxa dos EUA está alta.

3. Diferencial de juros

O Banco Central do Brasil vem reduzindo, desde agosto do ano passado, a taxa Selic, a taxa de juros básica da economia. Ela caiu de 13,75% ao ano em agosto do ano passado para 10,75% no mês passado. Isso diminui a diferença entre a taxa de juros dos EUA e a brasileira, tornando os títulos brasileiros menos atrativos. Com menos dólares entrando no país, a moeda americana se valoriza.

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4. Retirada de dinheiro da bolsa brasileira

Os investidores também vêm deixando a B3, a bolsa brasileira. O fluxo de saída de dólares já alcançou R$ 23,9 bilhões desde o início de 2024. Para Gustavo Cruz, da RB Investimentos, a manutenção dos juros americanos deve levar o BC brasileiro a andar mais devagar com o corte de juros nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

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5. Atividade americana resiliente

No começo de 2024, esperava-se que o Federal Reserve (Fed, o banco cenral americano) começasse a reduzir os juros já em março. Mas os dados positivos de emprego e a inflação recuando pouco, demonstrando uma economia aquecida, fizeram o Fed manter os juros no mesmo patamar. Analistas começaram a projetar o início do afrouxamento monetário somente no ano que vem.

A pesquisa FedWatch, que ouve analistas sobre a probabilidade do corte ou manutenção dos juros pela autoridade monetária, registrava, há uma semana, 46,7% dos agentes acreditando que o patamar atual será mantido na reunião de junho. Hoje, o número é de 72,8%.

Na quarta-feira, a inflação ao consumidor em março veio acima do esperado por agentes de mercado. Na semana passada, foram 300 mil contratações no mercado de trabalho, bem acima dos 200 mil esperados pelos agentes de mercado.

 

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