Dívida crescente, que gera desconfianças nos investidores, vira problema também nos países ricos

Agência de classificação de risco aponta fragilidades na situação fiscal de economias do G7, que reúne as mais desenvolvidas do mundo, incluindo os EUA

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Casa Branca: dívida dos EUA, a maior economia do planeta, está entre as preocupações de investidores — Foto: Stefani Reynolds/AFP

O aumento implacável da dívida dos EUA e de outros países desenvolvidos foi destacado por duas empresas de classificação de risco, com alerta da S&P Global Ratings de que apenas uma forte pressão do mercado pode alterar a trajetória.

As duas análises de economias do G7 e outros pares intensificam o foco no endividamento em uma semana em que dois destes países passam por eleições turbulentas e depois que o Banco de Compensações Internacionais, conhecido como BIS na sigla em inglês, advertiu que os governos estão vulneráveis a uma perda brusca de confiança.

Em um relatório nesta quinta-feira, a S&P sugeriu que a perspectiva de que EUA, Itália e França consigam manter suas dívidas já elevadas nos níveis atuais é remota.

“Na fase atual de seus ciclos eleitorais, apenas um forte aumento das pressões de mercado poderia persuadir estes governos a implementar uma consolidação orçamental mais firme”, escreveram analistas liderados por Frank Gill. “Dito isso, uma deterioração acentuada das condições de financiamento também aumentaria a dimensão do ajuste fiscal necessário.”

A Scope Ratings apontou para a pressão que os juros mais elevados irão exercer sobre as posições fiscais dos três países e do Reino Unido – uma mudança que irá “aumentar os riscos para a sustentabilidade da dívida soberana”.

Ambos os relatórios chegam em um momento delicado, com o Reino Unido em plena eleição, Joe Biden sob pressão crescente para abandonar a corrida presidencial nos EUA e os franceses rumo às urnas no fim de semana.

No domingo, o BIS divulgou um relatório acompanhado de uma advertência do economista-chefe Claudio Borio de que a experiência do mercado mostra que “as coisas parecem sustentáveis até que de repente já não são mais”.

Os EUA, enquanto maior economia do mundo, continua a ser um ponto central de preocupação. Na terça-feira, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que “o nível de dívida que temos não é insustentável, mas a trajetória em que estamos é insustentável”.

Gill, da S&P, destacou a falta de consenso nos EUA sobre a necessidade de contenção fiscal.

“Não há um apoio amplo e bipartidário a medidas proativas para reduzir significativamente os elevados déficits fiscais e restringir o aumento da dívida pública”, disse ele. “Isso afeta a solvência.”

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