Dasa e Amil criam 2º maior grupo de hospitais do país

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Dasa inaugura unidade especializada em oncologia na Barra da Tijuca, no Rio: investimento de R$ 110 milhões, prédio de 8 mil metros quadrados — Foto: Divulgação

Transação reduz endividamento da empresa de medicina diagnóstica. Adiante, operadora vai lançar novos planos de saúde incluindo rede da parceira

e Dasa e centros de oncologia das duas empresas, com um total de 4,4 mil leitos. O negócio reforça a segunda posição no ranking dos maiores grupos de assistência médico-hospitalar privada, já ocupada pela gigante de medicina diagnóstica, ficando atrás apenas da Rede D’Or. Vai ajudar a Dasa a reduzir endividamento, enquanto abre caminho para a Amil lançar novos incluindo unidades da companhia parceira.

Dos 25 hospitais, 14 pertencem à Ímpar, braço de hospitais da Dasa, como o Nove de Julho (SP), enquanto os demais integram a Rede Américas, da Amil, incluindo o São Lucas (RJ). A operadora de saúde conta com 31 hospitais, os outros 20 seguem como rede própria. No caso da Dasa, ficam de fora três unidades no Nordeste: Hospital da Bahia, São Domingos e AMO.

A transação é um dos pilares do plano se redução de dívida da Dasa — empresa controlada pela família Bueno, fundadora da Amil —, que soma R$ 11 bilhões. No fim de maio, os Bueno fizeram um aporte de R$ 1,5 bilhão como adiantamento a um aumento de capital já anunciado e que, a partir do negócio agora anunciado, poderá ser realizado a partir da emissão de novas ações.

Mais competitividade em hospitais

Pelo acordo com a Amil. a Dasa vai transferir R$ 3,85 bilhões de seu endividamento para o novo negócio, potencialmente reduzindo seu débito a R$ 5,71 bilhões. Os planos para sanar essa dívida incluem ainda a venda dos três hospitais que ficaram de fora da transação, além de um plano de eficiência operacional.

O controle da nova rede será igualmente repartido entre as duas parceiras. E o comunicado divulgado pela Dasa informa que essa rede de 25 hospitais pode vir a crescer. Atualmente, a Rede D’Or soma 11,7 mil leitos em sua rede de hospitais, enquanto a novo player alcança 4,4 mil. Vêm na sequência a Kora, com 2 mil, e a Mater Dei, com 1,5 mil, de acordo com dados levantados pela Ativa Research.

— O que vemos hoje não é apenas um movimento de consolidação, mas de verticalização. Os hospitais trazem muitro lastro para os planos de saúde. É uma forma de fechar o ecossistema, trazer novas receitas, navegando o paciente por uma rede só — diz Leonardo Giusti, sócio da consultoria KPMG. — A melhora do custo vai depender de sinergias, podendo garanir acesso com custo mais adequado.

Em maio, com R$ 1,1 bilhão em investimento, Bradesco Seguros e Rede D’Or criaram uma empresa de hospitais que começa a operar no segundo semestre, contando com três filiais da marca São Luiz.

A joint venture de Amil e Dasa deve ampliar a competitividade no setor de hospitais e é notícia “negativa” para a Rede D’Or, avalia a Ativa Research.

Cliente Amil sem mudança

A Amil já planeja lançar, mais adiante, novos planos de saúde que poderão incluir unidades da Ímpar. A operadora informou que seus beneficiários e os da Golden Cross têm preservado o acesso aos hospitais já previstos na cobertura dos planos de saúde contratados. A transação com a Dasa, porém, não dá acesso aos hospitais da parceira a clientes da Amil.

No fim do ano passado, a Amil foi vendida pelo americano UnitedHealth Group para José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp, em negócio de R$ 11 bilhões, sendo R$ 9 bilhões em passivo da operadora de saúde. Ele vem costurando grandes acordos para reestruturar a empresa, com foco em ganho de escala. Este mês, fechou um para integrar os beneficiários da Golden Cross a sua carteira.

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