Crise climática: estiagem e seca prejudicam economia e afetam milhões de brasileiros

Os estados mais afetados incluem Rio Grande do Sul, Ceará, Mato Grosso, Bahia e Paraíba

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Prejuízo anual estimado é de R$ 16 bilhões (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Durante 24 anos, a estiagem e a seca foram os principais desastres climatológicos no Brasil, causando danos significativos e afetando milhões de pessoas. Entre 2000 e 2023, esses fenômenos resultaram em prejuízos financeiros consideráveis, totalizando pelo menos R$ 359 bilhões no setor privado e R$ 32 bilhões na esfera pública, segundo dados da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. É estimado que o prejuízo anual devido à falta de chuva seja de aproximadamente R$ 16 bilhões. Os estados mais afetados incluem Rio Grande do Sul, Ceará, Mato Grosso, Bahia e Paraíba.

No setor privado, a agricultura foi duramente atingida, com perdas estimadas em R$ 258 bilhões durante o período analisado. O setor pecuário também registrou danos consideráveis, totalizando R$ 84 bilhões. O abastecimento de água foi o mais afetado na esfera pública, com um prejuízo de R$ 30 bilhões, representando mais de 94% do dano total do governo.

Em algumas ocasiões, o levantamento não conseguiu incluir informações de todos os estados, o que pode significar danos não calculados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, entre 2003 e 2021, o estado enfrentou oito a dez períodos de estiagem, resultando em perdas significativas na agricultura, como o registro de ao menos R$ 1,83 bilhão em perdas apenas em 2023, segundo dados da Embrapa.

Apesar de semelhantes, estiagem e seca têm diferenças de intensidade. A estiagem é caracterizada por um período prolongado de baixa ou nenhuma chuva, enquanto a seca é uma estiagem prolongada que causa desequilíbrio hidrológico.

Em anos recentes, a seca extrema afetou aproximadamente 25 milhões de pessoas no Brasil, superando em seis vezes o número de afetados por enchentes. Na semana passada, dez municípios de seis estados do Nordeste tiveram a situação de emergência reconhecida pelo governo federal devido à estiagem.

Na Amazônia, a seca tem sido um fenômeno crescente, com registros de secas em 2005, 2010, 2015/2016 e, mais recentemente, em 2023, quando o volume dos rios atingiu níveis mínimos em mais de 120 anos de medição, causando impactos diretos na população ribeirinha, como dificuldades para se locomover devido à seca dos rios. A condição de seca persiste em alguns estados da Amazônia Legal, como Amapá e Acre, onde a área com seca aumentou entre março e abril deste ano, atingindo 100% do território em Amazonas e Roraima.

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