Como a manutenção da Selic em 10,50% afeta construtoras e compradores de imóveis

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O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 10,50% ao ano. Os juros representam um dos maiores desafios para quem atua no mercado imobiliário.

Quando os juros estão baixos, as construtoras tendem a acelerar seus projetos e os clientes ganham maior capacidade de compra. No entanto, quando os juros estão altos, as obras desaceleram e o potencial de compra diminui.

Nesse cenário de flutuações, as empresas do setor precisam desenvolver estratégias para lidar com as variações dessas taxas, que podem impactar a economia do setor tanto positivamente quanto negativamente.

Como a decisão da taxa Selic pode afetar seus investimentos? O economista Sergio Vale explica como o comunicado do Copom poderá influenciar o mercado nesta edição especial do Giro do Mercado; salve o link da transmissão.

Para o desenvolvimento de obras que combinam lucro, boas margens para as construtoras e uma melhor oferta final ao cliente, a melhor alternativa é ter a taxa de juros ajustada adequadamente ao momento econômico.

Nesse contexto, cito a recente declaração do presidente do Conselho de Administração da MRV, Rubens Menin, que afirmou: “Os juros são necessários para o setor assim como a quimioterapia é para os pacientes que necessitam dela. Ou seja, quando se erra para menos, não atua na correção ideal e, quando se erra para mais, acaba promovendo mais prejuízos do que benefícios”.

Pensando nisso e olhando para um 2024 com uma taxa de juros de dois dígitos no Brasil, é crucial trabalhar para um mercado e cenário econômico que promovam a redução dessa porcentagem.

Selic a 10,50%: Impacto para as empresas e para os clientes

Reduzir é essencial. Isso significa que a diminuição da taxa de juros é fundamental para o desenvolvimento saudável de todos os CNPJs brasileiros, não apenas para aqueles ligados ao setor imobiliário. Afinal, quando a taxa é menor, as construtoras têm maior acesso ao mercado de capitais e não dependem apenas do financiamento do FGTS, um ponto limitante para os negócios.

Observando o panorama atual, podemos afirmar que o mercado está aquecido devido às iniciativas governamentais que alteraram os programas habitacionais, como o aumento do teto do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o FGTS Futuro e a expansão do prazo de pagamentos.

Do ponto de vista do cliente, a redução da taxa de juros torna a compra do imóvel mais acessível. Isso se deve à redução do comprometimento de renda dos compradores e à melhora das condições de empréstimos oferecidos pelos bancos e instituições financeiras. Atualmente, em aquisições do MCMV ou FGTS, a taxa é fixa e varia entre 4,25% e 8,16%. Porém, apesar da taxa fixa, sabemos que o poder de compra dos clientes é crucial para o pagamento do valor com recursos próprios, por exemplo.

Foco nos juros desde o planejamento estratégico

A montanha-russa da taxa de juros já é um tema constante nos planejamentos estratégicos. Como as construtoras não têm o poder de ditar as regras do índice, a melhor alternativa é desenvolver métodos para lidar com ele.

Entre as medidas possíveis, estão a avaliação da rentabilidade de novos projetos, a fim de estabelecer uma margem segura nas obras, o monitoramento de tendências macroeconômicas, para identificar oportunidades e riscos que valem o investimento, e a visão de longo prazo, para considerar os ciclos econômicos que podem impactar o preço das construções.

As políticas de preço e venda também fazem parte do planejamento. Em momentos de juros baixos, é importante oferecer condições de financiamento mais atraentes para os clientes, o que aumenta a demanda por imóveis.

Em tempos de juros baixos, é a hora de investir com mais força nos projetos. Porém, também é o período de pensar no que pode ser feito para a empresa estar preparada quando a taxa subir.

É essencial focar na liquidez, ou seja, fortalecer as reservas de caixa para permitir a flexibilidade financeira e diversificar as fontes de financiamento com o intuito de reduzir a dependência de empréstimos bancários.

Junto dessa estratégia, entra a fidelização do cliente — visto que nessa época é mais fácil criar condições que favoreçam o bolso de quem compra. As construtoras devem se atentar para oferecer condições atraentes de financiamento, como taxas fixas em hipotecas ou opções de financiamento flexíveis.

Juros baixos são sinônimo de progresso imobiliário. Portanto, o mais confiável é usar esses momentos para acelerar o crescimento empresarial e garantir a proteção para períodos de crise.

Fonte: Infomoney

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