Coach, diretivo ou afetivo: Saiba como identificar o perfil do seu chefe

EXTRA ouviu especialistas em RH para traçar tipos de líderes mais comuns nos dias de hoje

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Todo trabalhador tem uma história para contar sobre seu chefe. Na hora de liderar e tomar decisões, os estilos de cada um são diferentes. Alguns são mais inspiradores, outros estabelecem uma relação próxima e amigável com seus colaboradores, e há aqueles mais assertivos, conhecidos pela determinação e pelo foco nos resultados.

A pedido do EXTRA, a Gupy, empresa de Tecnologia para Recursos Humanos, listou os principais perfis de chefes encontrados no mercado de trabalho brasileiro atualmente, indicando como lidar com cada tipo. São eles: coach, participativo, diretivo, visionário e afetivo (confira abaixo).

Marilia Montagnoli, especialista em Recursos Humanos da Gupy, destaca que uma liderança pode exibir características de múltiplos estilos. Ela também acrescenta que não há um perfil melhor do que os outros:

— Cada estilo tem seu próprio conjunto de vantagens e pode ser mais eficaz em diferentes contextos.

Mesmo que um perfil não se destaque em relação aos outros, os trabalhadores têm suas preferências. Uma pesquisa realizada pela Heach Recursos Humanos com mil empregados indica que 29% desejam trabalhar com líderes afetivos, enquanto 59% não gostariam de lideranças com um perfil autoritário.

CEO da Heach Brasil, Elcio Teixeira diz que o segmento e a estrutura de uma empresa podem impactar no tipo de perfil de liderança que seja a ideal para aquele contexto:

— Temos que respeitar o tipo e a cultura que é estabelecida naquele negócio. Se é uma empresa que tem uma cultura familiar, sem sombra de dúvidas o afetivo vai imperar ou o autoritário. Se for uma empresa multinacional, vai ter muito mais os perfis participativo e diretivo.

Conheça os perfis de líderes

Líder Coach

Atitude: É o chefe que foca no desenvolvimento individual dos colaboradores, ajudando-os a tomar as melhores decisões, melhorar a produtividade e alcançar as metas de uma forma independente.

Como lidar: É essencial praticar uma escuta atenta e estruturada, focando em soluções. Construir confiança e empatia por meio do diálogo é importante, assim como fazer perguntas que estimulem a reflexão e o desenvolvimento.

Líder diretivo

Atitude: É aquele que define claramente os resultados esperados e delega responsabilidades para os funcionários de uma forma eficiente, direta, de acordo com as capacidades individuais.

Como lidar: Clareza e autonomia são fundamentais, pois é o que ele espera da equipe. Por isso, é importante compreender bem as expectativas e os objetivos definidos pelo líder. Não hesite em perguntar, caso tenha restado alguma dúvida.

Líder participativo

Atitude: Estimula a participação de todos na tomada de decisão, buscando o consenso e ideias criativas da equipe.

Como lidar: É importante participar ativamente das decisões em equipe, estimular o consenso e respeitar os processos democráticos. Demonstrar flexibilidade para ajustar suas ideias em prol do consenso fortalece o engajamento da equipe e contribui para um ambiente colaborativo e produtivo.

Líder visionário

Atitude: É o chefe que cria uma visão atraente do futuro, inspirando a equipe e reforçando o propósito das ações presentes.

Como lidar: O funcionário deve mostrar entusiasmo e propor maneiras práticas de contribuir para a realização dessa visão, considerando que isso inspira a equipe de trabalho e fortalece o propósito coletivo. Lembre-se: ninguém faz nada sozinho.

Líder afetivo

Atitude: É o profissional que prioriza o bem-estar (físico e mental)e a conexão emocional da equipe, criando um ambiente de trabalho mais acolhedor.

Como lidar: É preciso mostrar interesse genuíno no bem-estar da equipe como um todo, e adaptar a abordagem de trabalho para apoiar essas necessidades. Isso ajuda a construir um ambiente saudável para todos, pois qualidade de vida é o que as pessoas esperam – e merecem.

Como se adaptar a cada estilo

Diante de uma diversidade de perfis de liderança e com um mercado de trabalho em constante movimento, um profissional precisa estar preparado para se adaptar aos diferentes estilos de chefia. De acordo com especialistas, uma estratégia para isso é investir no desenvolvimento de algumas habilidades específicas.

Para Sergio Castellano, diretor da consultoria de recrutamento Michael Page, a adaptabilidade é a principal habilidade a ser desenvolvida por colaboradores diante do contexto de perfis variados de chefes:

— A adaptabilidade é o grande destaque, a chave para que os colaboradores consigam se ajustar a esses perfis. Eu destacaria quatro grandes focos para que o trabalhador não se sinta perdido e potencialize seu sucesso: adaptabilidade, ter uma comunicação aberta, buscar um feedback regular e desenvolver habilidades voltadas para a resolução de conflitos — cita Castellano.

Luciana Calegari, especialista em Recrutamento e Seleção do portal Vagas.com, ressalta que os trabalhadores também devem investir no desenvolvimento de competências como inteligência emocional. Isso pode ajudá-los a “navegar com sucesso em diferentes ambientes de trabalho”.

Calegari acrescenta que existem características valorizadas por todos os líderes e que devem estar no radar dos trabalhadores para que sejam desenvolvidas:

— A proatividade é essencial, já que todos os líderes apreciam iniciativa. Outra habilidade crucial é a capacidade de transformar teoria em prática e implementar ideias eficazes no cotidiano — destaca Calegari.

Um estilo para cada tipo de negócio

No mercado de trabalho atual, as empresas veem nos diferentes estilos de liderança a oportunidade de escolher o perfil que mais se adapta ao seu negócio.

— As organizações reconhecem a importância de adaptar estilos de liderança para atender às necessidades variadas de suas equipes, promovendo um ambiente onde diferentes perfis podem prosperar — diz Luciana Calegari, do Vagas.com.

Calegari acrescenta que diferentes perfis de líderes sempre existiram. Contudo, com a ênfase atual em diversidade, inclusão e bem-estar dos funcionários, essa variedade se tornou mais visível e aceitável.

Segundo Marilia Montagnoli, da Gupy, essas diferenças entre estilos de liderança podem ser explicadas por um conjunto de fatores, como características individuais da pessoa, cultura da empresa onde ela atua, além de demandas da equipe naquele momento.

Lideranças autoritárias perdem espaço

Chefes com perfil autoritário, que centralizam o poder e são controladores, devem ser cada vez menos encontrados nas empresas. Isso ocorre porque há uma tendência de valorização de líderes mais humanos, apontam especialistas.

— Pode ser uma tendência influenciada pela pandemia. Estamos vendo cada vez mais a valorização de líderes mais humanos, capazes de praticar a empatia e entender os funcionários — avalia Sergio Castellano, da Michael Page.

Elcio Teixeira, da Heach Brasil, destaca que nos processos seletivos, a busca é por líderes capazes de se conectar facilmente com a equipe:

— Quando realizamos processos seletivos para cargos de liderança, buscamos líderes que tenham facilidade de se conectar com a equipe, pois se a liderança for baseada exclusivamente na autoridade, isso pode resultar em baixo engajamento da equipe. Além disso, é nesse tipo de liderança que prevalecem os casos de assédio moral.

Mesmo perdendo espaço e apresentando características que se distanciam do mercado de trabalho atual, os especialistas citam que esse perfil de líder possui algumas características positivas, como respostas rápidas, retorno ágil e foco em resultados, que podem ser incorporadas por outros perfis sem o lado ruim dos que são autoritários.

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