Brasil-EUA: Estados mostram seus projetos para atrair investimentos

No evento em Nova York, sete governadores apresentam suas apostas de crescimento, que incluem projetos de desestatização, parcerias com o setor privado e apostas na economia verde

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Brasil-EUA: Estados mostram seus projetos para atrair investimentos - Foto: Reprodução / internet

A uma plateia de empresários e investidores brasileiros e americanos, no Summit Valor Econômico Brazil-USA, em Nova York, sete governadores brasileiros mostraram os atrativos de seus estados e destacaram o potencial de ações de sustentabilidade ambiental e uma agenda de concessões, privatizações, parcerias com o setor privado e medidas duras para equilibrar as contas públicas e atrair investimentos.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por exemplo, aposta em uma agenda liberal para dobrar a capacidade de investimento do estado nos próximos anos com um conjunto de desestatizações, além de uma reforma administrativa para reduzir o tamanho da máquina pública. A principal bandeira do governo paulista é a venda da Sabesp, empresa de saneamento, que deve ser concluída em junho.

Tarcísio disse que devem ser contratados mais de R$ 300 bilhões em investimentos em São Paulo nos próximos anos. Ele afirmou que o estado tem um programa “muito ambicioso” de investimentos em infraestrutura, como os trens intercidades, a expansão de linhas do metrô e a conclusão do Rodoanel, e aposta também em PPPs na área social:

— Teremos parceria público-privada de parque, educação, habitação. Estamos investindo muito na parceria.

Rio é o segundo maior consumidor, diz Castro

Já o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), afirmou que, na perspectiva da Reforma Tributária, o Rio é o segundo maior mercado consumidor do Brasil e, com isso, “tende a ser, nos próximos anos, um dos estados com maior potencial de investimento.” O governador citou “a vocação energética do Rio”, responsável por 85% da produção de petróleo e de cerca de 77% de gás natural do país. Além disso, o estado está testando a primeira planta de eólica offshore.

— A única planta de eólica offshore em teste hoje fica no Rio — disse Castro.

Ele citou dados do aumento de abertura de empresas no estado. E disse que, só em abril, foram mais de 7 mil novos CNPJs na Junta Comercial do Rio.

— Éramos o 23º e 24º colocados na abertura de empresas e empregos até 2021. Há dois anos ocupamos a segunda colocação no ranking nacional — afirmou.

Pará fechará comercialização de créditos de carbono, diz Helder

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), destacou ações na área ambiental. Ele afirmou que o estado fechará em junho a comercialização de dois milhões de toneladas em créditos de carbono. O Pará, ressaltou, possui 156 milhões de toneladas de carbono a serem comercializadas até 2026, com cada tonelada a US$ 15. Os recursos arrecadados, segundo o governador, serão repartidos com os povos tradicionais, isto é, indígenas, quilombolas e pequenos agricultores.

— O Pará possui 75% do seu território de floresta nativa e aposta na viabilidade de uma nova economia verde — afirmou.

Além disso, Barbalho disse que o Pará fará, no segundo semestre deste ano, a primeira concessão de áreas de restauro do Brasil, de 10 mil hectares. A expectativa é que o estado arrecade R$ 1,7 bilhão, com geração de mais de três mil empregos.

Mato Grosso poderá liderar o agronegócio por décadas

O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União), disse que o Brasil tem potencial de liderar o agronegócio no mundo por décadas, diante do quadro de mudanças climáticas, o que exigirá um novo modelo de desenvolvimento sustentável.

— Quando olhamos para o mundo e, principalmente, para a Ásia, percebemos que muitos países conseguiram um modelo de desenvolvimento sustentável, que tem permitido uma grande transformação. O Brasil caminha numa velocidade menor. Se não formos capazes de encontrar um modelo um pouco mais acelerado, a distância provavelmente aumentará — afirmou Mendes

Ele acrescentou que, no início de sua gestão, foi obrigado a adotar uma política fiscal rígida:

— Conseguimos garantir um modelo de investimento com capital próprio. Hoje, 20% daquilo que arrecadamos de impostos está se transformando em investimentos.

Brasil poderá atender demanda global por energia verde, diz Caiado

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), frisou o potencial do Brasil para atender a demanda global por energia verde, com fontes como biomassa e etanol. E apontou a necessidade de “medidas drásticas”, como ajuste fiscal e reforma administrativa, para atrair investimentos. Ele defendeu mais autonomia para os governadores.

— O potencial de cada estado depende da conduta de cada governador, daquele que tem a coragem de assumir medidas duras. Se tem um custo Brasil, esse custo tem de ser diminuído em cada estado. Modéstia à parte, nós estamos fazendo nossa tarefa de casa — frisou Caiado, mencionando incentivos à industrialização e à liberdade econômica, além de ações na área de segurança pública, como prioridades em sua gestão.

Mato Grosso do Sul é potência agroambiental, diz governador

O governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), afirmou que o estado é uma potência agroambiental.

— A agricultura tropical brasileira é muito diferente daquela em países de clima temperado, em termos de pegada de carbono. Temos relações de competitividade diferentes. Isso, talvez, seja uma das nossas grandezas — disse Riedel.

O governador ressaltou que a questão ambiental também pode ser vista como um ativo, como oportunidade de investimento:

— Nossa lei ambiental talvez seja um exemplo para o mundo.

Riedel disse ainda que, nos últimos dez anos, o Mato Grosso do Sul reduziu de 22 milhões para 17 milhões de hectares sua área de pastagens e mesmo assim aumentou sua produção.

— Crescemos 6,5% em 2023, e este ano a previsão é de 5,8%. É a demonstração que estamos na direção certa — afirmou.

O Mato Grosso do Sul, disse Riedel, tem investido para melhorar a infraestrutura e elevar a produtividade, com custos mais baixos, e conta com a participação do setor privado. Ele lembrou que, no segundo semestre deste ano, o estado vai leiloar 900 quilômetros de rodovias.

Governador do Paraná defende privatizações

O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), por sua vez, defendeu uma agenda de privatizações e concessões, em meio a um ambiente político favorável:

— Nós não gastamos muito tempo brigando politicamente. O governador se dá bem com o presidente da Assembleia, com o presidente do Tribunal de Justiça, com os órgãos de regulação, e isso cria um ambiente de paz política para o investidor, que quer trabalhar, pagar seu imposto e gerar emprego.

O governador listou alguns dos atrativos econômicos do estado, como ser o maior gerador de energia do país. Ele ressaltou que 18% de toda energia do país é produzida no Paraná, e 98% são de energia limpa.

— Além disso, somos os maiores produtores de proteína animal e o segundo maior produtor de grãos do Brasil. Temos industrializado tudo isso para que o valor agregado da produção do agro fique no estado, gerando emprego e renda — afirmou Ratinho Junior.

Prefeituras do Rio e de SP foram representadas

Representantes das prefeituras de São Paulo e do Rio Janeiro presentes no Summit exaltaram a importância das duas capitais para a economia nacional. O secretário de Fazenda de São Paulo, Luiz Fernando Arellano, ressaltou a descarbonização da frota de ônibus da cidade como o principal projeto de investimento para os próximos anos. Segundo ele, são necessários R$ 35 bilhões até o fim de 2035 para a substituição completa da frota.

Já Alexandre Vermeulen, presidente da Invest.Rio, empresa de promoção e atração de investimentos da cidade, listou algumas iniciativas da prefeitura carioca para tornar o município um polo de tecnologia. Ele destacou a inauguração do hub de inovação Porto Maravalley, capitaneado pela nova faculdade do Instituro de Matemática Pura e Aplicada (Impa).

O Summit Valor Econômico Brazil-USA foi apresentado por Banco Master, com patrocínio master de Gulf e JBS, patrocínio de Gerdau, JHSF, Cedae, Copel e AEGEA, além do apoio da cidade de São Paulo, dos governos de São Paulo, Mato Grosso, Pará e Goiás, e do Invest.Rio. Latam e Delta foram as companhias aéreas oficiais. A realização foi do Valor Econômico.

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