Boeing enfrenta nova investigação do órgão regulador, agora por causa do Dreamliner

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Empresa repassou à agência de aviação dos EUA relato de funcionário sobre testes incompletos na aeronave, usada em rotas de longa distância

A Boeing enfrenta uma nova investigação por parte dos reguladores de segurança da aviação dos Estados Unidos, depois de ter alertado as autoridades sobre inspeções potencialmente incompletas em seu jato para longas distâncias 787.

Boeing 737 Max:

No vácuo:

Em abril, a Boeing notificou a Administração Federal de Aviação (FAA, pela sigla em inglês) dos EUA que pode não ter concluído as inspeções necessárias sobre como as asas do 787 Dreamliner se unem ao corpo da aeronave, afirmou a agência em um comunicado divulgado nesta segunda-feira. A FAA também está examinando se os funcionários da empresa podem ter falsificado registros das aeronaves.

A última investigação corre o risco de agravar uma crise de confiança que a Boeing enfrenta desde que um quase novo, em pleno voo, em janeiro. Além disso, denunciantes alertaram parlamentares americanos, no mês passado, que a fabricante prioriza a produtividade em detrimento da segurança e qualidade.

CEO da Honeywell:

Não se trata, de imediato, de um problema de segurança de voo. Mas pode haver interrupções na produção, à medida que a Boeing fizer testes nas aeronaves em montagem, disse Scott Stocker, que lidera o programa 787, aos funcionários da empresa em uma mensagem de 29 de abril.

Uma “irregularidade” nos testes foi apontada por um trabalhador na fábrica da Boeing em North Charleston, na Carolina do Sul, e compartilhada com a liderança executiva, escreveu Stocker na mensagem. Uma revisão revelou que “várias pessoas” não realizaram um teste necessário, mas registraram esse trabalho como concluído, violando a política da empresa, afirmou ele.

“Informamos prontamente o órgão regulador e estamos tomando medidas corretivas rápidas e sérias”, disse Stocker na mensagem.

A FAA também intensificou a supervisão sobre a Boeing, limitou a produção do 737 Max e ordenou que a empresa crie um plano abrangente para abordar suas deficiências de qualidade e segurança até o fim de maio.

As ações da Boeing fecharam em queda de 0,8% nesta segunda. Logo após sair a notícia da investigação, relatada primeiro pelo Wall Street Journal, chegaram a cair 2,8%. No ano, os papéis acumulam recuo de quase 32%.

A Boeing disse estar incentivando os trabalhadores a relatarem questões de segurança e práticas irregulares, a fim mudar sua cultura no chão de fábrica. Em sua mensagem de 29 de abril, Stocker elogiou o funcionário que relatou a falha, dizendo que ele “fez a coisa certa”.

Nenhuma aeronave foi retirada de serviço até o momento, e a produção do Dreamliner está mantida. A Boeing deve criar um plano para abordar os aviões 787 que já estão em serviço, disse a FAA.

Stocker disse que se reuniria com várias equipes para discutir esforços para “garantir que isso não aconteça novamente”.

 

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