Bilionário Bernard Arnault, da Louis Vuitton, compra fatia de empresa dona da Cartier

Investimento foi pessoal, do empresário, e ocorreu longe dos holofotes. Não está claro ainda qual parcela das ações foi comprada. Joalheria de luxo tem estratégia para repelir possíveis ofensivas de rivais

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Uma loja de artigos de luxo da Cartier — Foto: Bloomberg

Um dos homens mais ricos do mundo e dono de um império global de luxo, Bernard Arnault comprou, sem muito alarde, uma participação acionária na empresa controladora da joalheria de luxo Cartier, a Richemont, relataram fontes familiarizadas com os investimentos do bilionário francês à agência de notícias Bloomberg.

Não está claro, porém, qual o percentual de ações que o presidente e CEO da LVMH adquiriu na Cie Financiere Richemont SA, que é controlada pelo bilionário sul-africano Johann Rupert. Uma das fontes a descreveu como “pequena” e parte de um portfólio mais amplo de investimentos da família Arnault em empresas listadas publicamente.

A LVMH é dona, entre outras, de , Hermes, Christian Dior, Tiffany, Moët & Chandon, Bulgari, Sephora e Dom Pérignon Champagne. Foi um império que surgiu com a Louis Vuitton e cresceu através da aquisição de rivais.

A participação acionária de Arnault na Richemont pode levantar especulações sobre quais seriam as intenções do bilionário no negócio. A Richemont criou uma estratégia de “defesa” contra possíveis aquisições não desejadas. Seu presidente, Johann Rupert, controla 51% dos direitos de voto, apesar de possuir apenas 10,2% de participação acionária na empresa. Nos últimos anos, Rupert, que tem 74 anos, enfatizou seu desejo de manter o grupo independente.

Em 31 de março, não havia outros acionistas significativos na Richemont com pelo menos 3% dos direitos de voto, disse a empresa suíça em seu último relatório anual.

Arnault, de 75 anos, descreveu a Cartier e a Van Cleef & Arpels, da Richemont, como “duas grandes marcas” na apresentação dos resultados anuais da LVMH em janeiro. Ele também elogiou a gestão de Rupert na empresa.

—Deixe-me terminar falando sobre a Richemont e o senhor Rupert, que considero ser um líder excepcional — disse Arnault na época. — Não tenho desejo de perturbar sua estratégia, entendo que ele deseja permanecer independente e acho isso muito bom. E se ele precisar de apoio para manter sua independência, estarei lá.

Neste momento, Arnault pretende manter as ações que adquiriu da controladora da Cartier apenas como um investimento, disse a fonte à Bloomberg, pedindo para não ser identificada.

Com o anúncio, as ações da Richemont chegaram a subir 3,1% na Bolsa de Zurique, embora tenham caído 2,4% nos últimos 12 meses. Os papéis da LVMH foram negociadas em alta de 0,7% em .

Um representante de Arnault e da LVMH, grupo controlador de marcas de luxo como a Louis Vuitton, se recusou a comentar.

A LVMH, principal fornecedora global de bens de luxo, é a terceira empresa mais valiosa da Europa, com um valor de mercado de cerca de € 366 bilhões (US$ 391 bilhões). A Richemont tem valor em Bolsa de 84,7 bilhões de francos suíços (US$ 91,3 bilhões).

A última aquisição do grupo de propriedade de Arnault, o homem mais rico da Europa e terceiro do mundo,e queridinho de estrelas do mundo inteiro.

Os negócios de Arnault

Há quatorze anos, a LVMH investiu na casa de luxo francesa Hermes International. A empresa de Arnault usou derivativos de ações para acumular discretamente uma participação que, no fim das contas, chegou a 23% do capital social da empresa, o que na época surpreendeu a família dona do negócio. Na ocasião, Arnault chamou o movimento de “amigável.”

A Hermes então reagiu e repeliu a ofensiva da LVMH, que acabou cedendo sua participação na fabricante das bolsas Birkin.

O conglomerado de luxo francês LVMH de marcas de moda, joalharia e hotéis. Além da Louis Vuitton, o grupo LVMH possui negócios como Loewe, Celine e Fendi em moda, além da varejista de cosméticos Sephora e das marcas de champanhe Dom Perignon e Moët & Chandon. Sua última grande aquisição foi a compra de US$ 16 bilhões da Tiffany & Co há mais de três anos, que ainda é o maior negócio na indústria de luxo até hoje.

A LVMH também possui as marcas de joias Bulgari, Fred, Chaumet e Repossi. Assim, se Arnault algum dia tivesse planos de uma aquisição da Richemont, uma união poderia potencialmente atrair escrutínio de órgãos de defesa da concorrência. As marcas de moda da LVMH, Louis Vuitton e Christian Dior Couture, também têm linhas de joias.

Na segunda-feira, dia 24, a riqueza de Arnault foi estimada em cerca de US$ 203 bilhões (o equivalente a R$ 1,09 trilhão), colocando-o em terceiro lugar atrás de Jeff Bezos e Elon Musk, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index.

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