10 bilhões de euros investidos no mercado imobiliário de luxo é positivo?

Estratégia visa consolidar a presença e valorizar ainda mais as marcas, mas há uma ressalva em relação às grifes menores

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Champs-Elysées, avenida em Paris. (Foto: Bernstein/AFP)

A indústria do luxo está direcionando seus investimentos para adquirir propriedades imobiliárias de alto prestígio, após a competição por lojas maiores e mais atraentes. É uma estratégia que visa consolidar sua presença e valorizar ainda mais as marcas. Em apenas cinco anos, os principais grupos de luxo gastaram quase 10 bilhões de euros em imobiliário, com uma forte aceleração nos últimos 18 meses. Esta frenesi imobiliário não é isento de consequências, tanto para o mercado como para as próprias empresas, como revela Bernstein no seu estudo “Luxury Retail Evolution, Store Wars“, realizado para a associação italiana de empresas de luxo Altagamma.

O autor do estudo, Luca Solca, alerta que o comprometimento dessas quantias pode ser prejudicial para as empresas menores. De acordo com as suas estimativas, os investimentos imobiliários da Louis Vuitton (LVMH), que ascenderam a cerca de 3,2 bilhões de euros entre 2022 e 2023, representam 14% do seu fluxo de caixa livre. Em contrapartida, para empresas menores, como a Kering, que investiu 1,8 bilhão de euros no mesmo período, e a Prada, que comprometeu 800 milhões de euros, o impacto no fluxo de caixa foi muito maior, de 35% e 59%, respectivamente.

Segundo a Bernstein, entre 2020 e 2024, a Hermès teria investido 200 milhões de euros em imobiliário; a Chanel 500 milhões de euros; a Prada 800 milhões de euros, em dezembro de 2023, em um edifício na Quinta Avenida, em Nova York; a LVMH 3,4 bilhões de euros, incluindo 1 bilhão de euros desembolsado em dezembro pelo edifício parisiense no 150 da Avenue des Champs-Élysées; e a Kering 4 bilhões de euros, sendo a última aquisição anunciada em abril, um palácio histórico na Via Montenapoleone, em Milão.

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“Isso implica ter menos recursos para alocar no desenvolvimento de marcas, produção, ou seja, em investimentos operacionais. E também tem impacto no endividamento. Além disso, este tipo de investimento imobiliza o capital das empresas sem grande retorno, no máximo 2-3% ao ano, o que diminui o retorno do investimento, que fica diluído, com o risco de provocar uma queda no desempenho da ação na bolsa e uma queda no seu valor, deixando a empresa mais exposta a riscos e a uma possível aquisição”, diz Luca Solca.

O outro efeito é que esta febre por investir em imóveis tem se concentrado em uma única avenida em cada capital da moda. Com isso, mesmo que sejam igualmente famosas, as grifes menores, comparadas às gigantes do luxo, ficam de fora das artérias mais prestigiadas do mercado de alto padrão, incapazes de competir com investimentos tão importantes.

Porém, Luca Solca vê nisso mais uma oportunidade, já que a magnitude dos investimentos evita que marcas menores se percam neste tipo de concorrência. E o analista dá alguns conselhos sobre como resistir e se recuperar em outro local. “O melhor parece ser reagrupar-se e regressar a áreas que foram negligenciadas recentemente, como a Via della Spiga, em Milão, ou a Madison Avenue, em Nova York”, sugere.

Outra proposta é ser mais habilidoso na identificação de locais que possam ser atrativos, como fez a  Moncler há alguns anos, quando se instalou na Champs-Elysées, onde a loja agora está bem cercada. Outra ideia é investir em apartamentos de alto padrão, bem mais em conta que prédios com instalações no nível da rua, para criar áreas de vendas exclusivas para os clientes mais ricos.

Fonte: Fashion Network

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Redação
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